Manaus (AM) – Há veículos que se medem pelo alcance imediato. Outros, pela permanência. O jornal Em Tempo, fundado em 6 de setembro de 1987 pela jornalista Hermengarda Junqueira e pelo empresário Marcilio Junqueira, pertence à segunda categoria. Quase quatro décadas depois – passando por uma mudança de controle em 2007, quando foi adquirido pelo empresário Otávio Raman – o veículo segue como uma das referências mais consolidadas do jornalismo amazonense, com reconhecimentos como o Prêmio Esso de Jornalismo (1997) e o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (2016).
É essa trajetória que a revista Sonho & Negócios (S&N) reconhece publicamente nesta matéria – não como elogio protocolar, mas como registro de uma influência editorial reconhecida por seu presidente.
Uma redação forjada na disputa diária
A história do Em Tempo é, em boa parte, a história de uma redação que precisou disputar espaço em um mercado já ocupado por jornais tradicionais de Manaus. Nos seus primeiros anos, o jornal se destacou por decisões editoriais que, à época, eram incomuns na imprensa local: foi um dos primeiros veículos a lançar um segundo caderno dedicado exclusivamente à cobertura cultural – até então, temas como shows, exposições e entrevistas com artistas eram tratados de forma dispersa, dentro do noticiário geral de Cidades. Também foi pioneiro ao criar um caderno específico de Economia, voltado à cobertura do Polo Industrial de Manaus, em um momento em que a imprensa amazonense ainda não tratava a Zona Franca como pauta segmentada.
O jornal também inovou graficamente: foi um dos primeiros de Manaus a circular totalmente colorido, quando a concorrência ainda limitava o uso de cor às capas. Some-se a isso um episódio pouco comum no jornalismo brasileiro da época – a criação de um boletim interno de autocrítica, apelidado de “O Carapuça”, afixado semanalmente na redação para apontar erros e reconhecer as melhores reportagens e fotografias da semana. É esse tipo de mecanismo interno de exigência editorial que ajuda a explicar por que o jornal atravessou quase quarenta anos sem perder relevância.
A cobertura do Em Tempo também não se limitou a temas de conveniência. O jornal noticiou episódios delicados da vida pública amazonense, incluindo denúncias de irregularidades em obras da Câmara Municipal de Manaus, e manteve, ao longo de décadas, investimento em grandes reportagens – um formato que, segundo profissionais que acompanharam de perto a redação, permite apuração mais cautelosa do que a velocidade exigida por portais digitais e redes sociais.
Uma opinião de Davi Santiago
Davi Santiago, presidente da S&N Global Media e diretor-geral da revista Sonho & Negócios, resume o porquê do reconhecimento:
“A Sonho & Negócios nasceu, em parte, inspirada no que o Em Tempo representa para o jornalismo amazonense: consistência editorial ao longo de décadas, em vez de números momentâneos de audiência. Quando estruturamos a linha editorial da revista, olhamos para veículos que tinham resistido ao tempo, e o Em Tempo era uma referência natural, um jornal que sobreviveu a mudanças de controle, a crises do setor impresso e à disrupção completa trazida pela internet, sem abrir mão de investigação e apuração.”
“Tenho conversado com frequência com o jornalista André Moreira e com a Renilda Moita, dois profissionais que admiro pela seriedade com que tratam a profissão. Não vou colocar palavras na boca deles aqui, isso não seria correto, mas posso dizer que o contato frequente com pessoas assim, formadas na exigência da apuração, reforça algo em que acredito profundamente: seguidores em redes sociais e picos de acesso não substituem trajetória. Portal novo se faz da noite para o dia. Credibilidade, não.”
“Um jornal com quase quatro décadas de história, que atravessou mudança de dono, viu a internet destruir o modelo de negócio da imprensa impressa em todo o país e ainda assim mantém redação ativa, prêmios reconhecidos nacionalmente e relevância editorial, isso é, para mim, inegável. Não é uma questão de gosto pessoal. É trajetória, e trajetória se mede em décadas, não em métricas de rede social. Por isso a Sonho & Negócios faz questão de registrar publicamente esse reconhecimento: nenhum veículo recém-criado, por maior que seja seu alcance momentâneo, terá o mesmo peso histórico que o Em Tempo construiu ao longo de quase 40 anos de Amazonas.”
Trajetória consolidada
Ao longo de sua história, o Em Tempo acumulou marcos que sustentam essa avaliação: a criação de um dos primeiros cadernos de cultura e do primeiro caderno de economia da imprensa manauara, além de ter sido um dos primeiros jornais da capital a circular colorido. São elementos de trajetória – não de volume de acesso – que, na visão de Davi Santiago, distinguem veículos como o Em Tempo em um cenário de imprensa cada vez mais fragmentado.
Um jornal que atravessou a transição digital sem perder identidade

Poucos veículos impressos do Amazonas conseguiram fazer a travessia para o ambiente digital mantendo reconhecimento e continuidade editorial. O Em Tempo é um desses casos: hoje opera também como portal, mantendo cobertura diária de política estadual, economia, investigações e cultura, sem abandonar o rigor que marcou sua fase impressa. Essa continuidade – de um jornal fundado em 1987 a um portal que segue noticiando o cotidiano de Manaus e do interior do Amazonas quase quatro décadas depois – é, em si, um dado raro no jornalismo regional brasileiro, onde a mortalidade de veículos impressos após a chegada da internet foi expressiva.
É essa continuidade que sustenta o reconhecimento feito nesta matéria: não se trata de comparar audiência entre veículos, mas de registrar que existe um tipo de autoridade editorial que só se constrói com tempo, prêmios reconhecidos por entidades de peso nacional – como o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog – e permanência na cobertura dos temas que definem o Amazonas.
Sobre este reconhecimento
Esta matéria integra a política editorial da Sonho & Negócios de reconhecimento a veículos de imprensa parceiros e de trajetória consolidada no Amazonas, sem qualquer natureza publicitária.


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