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Gastos em IA impulsionam preços de eletrônicos e energia nos EUA

Resumo

Gastos em IA sem precedentes têm encarecido semicondutores, eletrônicos e eletricidade nos Estados Unidos, prolongando a pressão inflacionária...

Gastos em IA sem precedentes têm encarecido semicondutores, eletrônicos e eletricidade nos Estados Unidos, prolongando a pressão inflacionária observada desde 2021.

Economistas alertam que a escalada pode persistir até o fim de 2026 e atrasar a trajetória de alívio monetário do Federal Reserve (Fed). De acordo com análises publicadas na editoria de Economia & Finanças, o fenômeno já limita a queda dos índices de preços.

Data centers elevam custos de chips e dispositivos

Somente Alphabet, Amazon, Meta Platforms e Microsoft devem investir US$ 720 bilhões em 2024, a maior parte dedicada à construção ou ampliação de centros de dados voltados a aplicações de inteligência artificial. Esse movimento vem drenando o mercado global de semicondutores: o JPMorgan Chase calcula que determinados chips de memória poderão terminar o ano até 400% mais caros do que em 2023.

O consumidor já sente o impacto. Em junho, a Apple reajustou laptops e iPads entre 15% e 25%; o modelo topo de linha do MacBook passou de US$ 1.699 para US$ 1.999. Microsoft informou que o console Xbox subirá US$ 100 a partir de 1.º de agosto, enquanto Sony, Dell e HP também elevaram preços de seus principais produtos.

“A rápida expansão dos centros de dados para IA gerou uma demanda extraordinária por memória e armazenamento. Nunca vimos um aumento de componentes tão grande, em tão pouco tempo”, afirmou a Apple em comunicado.

Analistas do Evercore ISI descrevem o cenário como “uma onda inicial de pressões de custo relacionadas à IA se espalhando pelos preços ao consumidor”.

Impacto moderado, porém persistente, na inflação

Embora o efeito imediato deva acrescentar em torno de 0,5 ponto percentual ao núcleo do índice de preços ao consumidor (que exclui alimentos e energia) até dezembro, esse acréscimo pode neutralizar reduções derivadas da queda dos aluguéis e do arrefecimento das tarifas comerciais impostas em 2019.

O núcleo da inflação medido pelo Fed estava em 3,4% em maio, bem acima da meta de 2%. A projeção mais recente sugere apenas ligeira desaceleração até o fim do ano. Segundo o economista Abiel Reinhart, do J.P. Morgan, “uma sequência contínua de choques temporários tende a preocupar mais o banco central do que eventos isolados”.

“Sabemos qual é o efeito da IA sobre a inflação agora: ele é inflacionário, não deflacionário”, escreveu Dario Perkins, da TSLombard.

Fed intensifica o monitoramento dos efeitos da IA

À frente do Fed desde 22 de maio, Kevin Warsh reconheceu em 1.º de julho que a demanda por infraestrutura de IA está impulsionando a economia hoje, embora acredite que ganhos de produtividade futuros possam reduzir preços. Vários dirigentes, porém, mostram-se menos otimistas sobre o curto prazo.

“Se esse impulso à demanda superar a oferta de forma duradoura, não será algo para ignorarmos”, alertou John Williams, presidente do Federal Reserve Bank de Nova York e vice-presidente do comitê de política monetária.

Na ata da reunião de 16 e 17 de junho, vários membros corroboraram a preocupação de Williams. Eles consideram que, caso a pressão sobre preços de chips e eletricidade não recue, uma alta de juros poderá ser necessária ainda em 2024 para esfriar o consumo.

Enquanto isso, concessionárias de energia já planejam ampliar a capacidade para atender ao apetite dos centros de dados. Essa expansão, normalmente financiada por tarifas mais altas, pode estender o ciclo inflacionário até 2028 ou além, segundo especialistas do setor.

Com a divulgação do relatório de inflação de junho marcada para terça-feira, investidores aguardam pistas sobre a magnitude exata desse impacto. Qualquer surpresa para cima reforçará a tese de que os gastos em IA mantêm viva a chama inflacionária.

Mesmo que parte do choque seja temporária, a sucessão de pressões — tarifas, energia e, agora, inteligência artificial — dificulta a tarefa do Fed de trazer a inflação de volta ao patamar de 2% sem impor custos adicionais à atividade econômica.

No curto prazo, consumidores já convivem com laptops mais caros, consoles reajustados e contas de luz em alta — sinais concretos de que a revolução da IA não sai de graça.

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