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Vídeos falsos manipulam percepção sobre funeral de Ali Khamenei

Resumo

Ali Khamenei virou alvo de desinformação nas redes após a circulação de vídeos aparentemente grandiosos de seu funeral, ocorrido em julho. As...

Ali Khamenei virou alvo de desinformação nas redes após a circulação de vídeos aparentemente grandiosos de seu funeral, ocorrido em julho. As gravações, produzidas por inteligência artificial, exibem uma multidão e um show de dois mil drones que, segundo análises técnicas, jamais aconteceram na vida real.

Entre Instagram e TikTok, os conteúdos falsos contabilizavam 10.800 curtidas e 150 mil visualizações até a tarde de 13/07. Segundo a ferramenta Hive Moderation, a probabilidade de geração por IA chega a 97% em um dos vídeos e a 99% em outro. A tecnologia do Google chegou a conclusões semelhantes.

Em meio ao avanço de deepfakes, especialistas alertam que casos como este reforçam a necessidade de conferir fontes confiáveis, tema tratado em nosso hub sobre inteligência artificial e checagem digital.

Indícios visuais de manipulação

O primeiro vídeo mostra uma suposta avenida tomada por milhões de pessoas acompanhando o cortejo fúnebre em Mashhad. A gravação carece de detalhes presentes nas imagens reais do evento, como bandeiras iranianas em verde, branco e vermelho e ruas ladeadas por árvores e edifícios. Além disso, falhas comuns em criações de IA, como distorções no contorno de corpos e texturas repetitivas, são perceptíveis ao longo da cena.

Já o segundo clipe exibe, à noite, um punho cerrado formado por pontos luminosos sobre um templo iluminado. O efeito seria resultado de dois mil drones sincronizados em Teerã. No entanto, não há qualquer registro na imprensa iraniana ou em veículos internacionais de que uma apresentação aérea desse porte tenha ocorrido durante as cerimônias.

“DOIS MIL DRONES NO CÉU DE TEERÃ FORMARAM O PUNHO DO LÍDER IRANIANO. UMA HOMENAGEM QUE MOSTRA: A RESISTÊNCIA DO IRÃ NÃO SE APAGA.”

Ferramentas confirmam uso de IA

Para verificar a autenticidade das gravações, a agência Aos Fatos submeteu os arquivos à Hive Moderation, plataforma que analisa metadados e padrões de pixels. O resultado apontou 97% de chance de geração artificial para o vídeo da multidão e 99% para a animação com drones. A ferramenta de detecção de conteúdo sintético do Google reforçou a conclusão ao classificar ambos os materiais como “manipulados”.

Outro método de verificação foi a comparação quadro a quadro com transmissões televisivas do funeral. Nos registros jornalísticos, o caixão coberto pela bandeira iraniana percorre vias repletas de bandeiras vermelhas, cenário ausente nos vídeos suspeitos. Além disso, o funeral ocorreu em áreas urbanas, enquanto a versão adulterada exibe grandes campos abertos.

Funeral real: seis dias de homenagens

Ali Khamenei, morto em fevereiro durante operação atribuída a forças de Israel e dos Estados Unidos, foi velado entre 4 e 9 de julho. As cerimônias passaram por Teerã e mais duas cidades, terminando no Santuário do Imam Reza, em Mashhad, sua terra natal. Milhares de iranianos participaram dos atos — número expressivo, mas distante das proporções “milionárias” sugeridas pelos vídeos forjados.

A circulação de deepfakes sobre eventos de grande relevância internacional ilustra o desafio contemporâneo de distinguir fatos de produções digitais — especialmente quando o material busca inflar a percepção pública de apoio ou rejeição a determinadas lideranças.

A recomendação de checadores independentes permanece: observar inconsistências visuais, buscar coberturas jornalísticas de referência e, sempre que possível, submeter arquivos duvidosos a ferramentas de detecção de IA antes de compartilhar.

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