Damares Alves utilizou a tribuna do Senado na segunda-feira (13) para conclamar lideranças e militantes conservadores a interromperem o “fogo amigo” que, segundo ela, vem desgastando a própria direita e atingindo figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Em tom de apelo, a senadora afirmou ter sido alvo de “ataques à honra, à moral e à imagem” nas redes sociais nas últimas semanas, partidas de usuários que ela considerava aliados. A ofensiva levou a Advocacia do Senado a oferecer apoio jurídico, pois algumas mensagens poderiam configurar violência política de gênero.
Ao mencionar a crise interna, Damares incluiu um questionamento sobre eventuais interesses financeiros por trás das investidas virtuais. Ela indagou “quem está financiando tudo isso” e destacou que a fragmentação prejudica o campo conservador. A avaliação da parlamentar repercute entre leitores de Perspectiva S&N, que acompanham temas ligados ao cenário político nacional.
Suspense sobre financiamento de ataques
Sem citar nomes de possíveis patrocinadores, Damares sugeriu que a escalada de ofensas virtuais pode estar sendo impulsionada por recursos externos. Segundo ela, a fragilidade exposta na direita interessa a terceiros. A equipe da senadora já prepara ação judicial para responsabilizar autores de publicações consideradas ofensivas.
“Quem está financiando tudo isso? A quem interessa essa fragilidade da direita? Será que tem dinheiro envolvido nesses ataques todos?”
Durante o pronunciamento, a parlamentar pediu que o “exército da direita” cesse ataques contra “seus próprios soldados”, sob pena de afastar potenciais simpatizantes do movimento conservador.
Defesa de Michelle Bolsonaro
Na parte final de seu discurso, Damares dirigiu palavras de solidariedade a Michelle Bolsonaro, que recentemente deixou a presidência do PL Mulher e reduziu sua participação nas redes sociais após divergências familiares tornarem-se públicas. A senadora descreveu a ex-primeira-dama como “digna, justa e honesta”, acrescentando que continuará a defender a aliada sempre que necessário.
“Estou aqui, amiga, enquanto eu tiver força, para dizer para o Brasil que você é uma mulher digna, justa, honesta, que não trai, que não mente, que não se corrompe.”
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O episódio mais recente envolvendo Michelle ocorreu em Fortaleza, na sexta-feira (10). Durante ato público, o deputado federal André Fernandes (PL-CE) reacendeu a tensão familiar ao declarar saudades do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado e a quem Michelle costuma chamar de “galego”. A provocação reforçou a leitura de que existe uma disputa interna no entorno do ex-chefe do Executivo.
Reações no campo conservador
Damares não foi a única a manifestar apoio à ex-primeira-dama. Em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) afirmou que Michelle falou publicamente “por não aguentar mais a pressão” de influenciadores ligados a alguns filhos de Bolsonaro. Segundo Salles, os ataques virtuais “duram há meses, para não dizer anos”.
Para observadores do cenário político, o pronunciamento da senadora insere-se em um esforço de lideranças conservadoras para evitar que disputas pessoais comprometam projetos eleitorais de 2024 e 2026. Ao questionar o financiamento de perfis que propagam conteúdo ofensivo, Damares levanta a hipótese de ação organizada contra figuras de destaque na direita.
No campo jurídico, a equipe da parlamentar reúne postagens consideradas difamatórias e estuda medidas cabíveis. A senadora reiterou que recorrerá à Justiça “para se proteger” e que o enfrentamento ocorrerá no âmbito legal, não nas redes.
Com o apelo público desta semana, Damares Alves se coloca na linha de frente de um movimento que busca recompor a coesão entre as principais vozes conservadoras e afastar suspeitas de divisão que possam comprometer a estratégia política do grupo nos próximos pleitos.


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