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Estados tentam barrar fusão de US$ 110 bi entre Paramount e Warner Bros. Discovery

Resumo

Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery esbarraram em mais um obstáculo para concretizar a maior fusão já vista em Hollywood. Nesta semana,...

Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery esbarraram em mais um obstáculo para concretizar a maior fusão já vista em Hollywood. Nesta semana, procuradores-gerais de 12 estados americanos ingressaram com uma ação na Corte Distrital do Norte da Califórnia para suspender o acordo de US$ 110 bilhões, alegando riscos significativos à concorrência.

O processo surge após a transação ter avançado por etapas decisivas: em maio, acionistas de ambas as companhias aprovaram a combinação dos negócios, e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sinalizou não se opor ao negócio. Mas a ofensiva dos estados reabre o jogo e põe em dúvida o cronograma da operação, apontam analistas ouvidos pelo mercado. Mais detalhes sobre fusões e movimentações corporativas podem ser encontrados na seção de Negócios & Inovação de S&N.

Por que os estados recorreram à Justiça

Liderada por Rob Bonta, da Califórnia, a coalizão inclui Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington. No documento, os procuradores-gerais alegam que a união “extinguiria a competição entre Paramount e Warner Bros. e causaria danos substanciais a cinemas, operadoras de TV a cabo e, em última instância, ao público”.

“O acordo deixaria apenas quatro estúdios responsáveis por mais de 85% dos lançamentos de grande porte nos cinemas dos Estados Unidos”, apontam os autores da ação.

Entre as preocupações listadas, o grupo estima que a nova companhia, somada à Disney, concentraria 59% da base de assinantes de TV a cabo básica no país. Para eles, o resultado provável seriam preços mais altos, menor diversidade de conteúdo e redução da fatia de receita destinada às salas de exibição, o que poderia pressionar o valor do ingresso.

Defesa da Paramount: ‘interpretação distorcida’

Horas depois da ação, a Paramount divulgou nota classificando o processo como “aplicação fundamentalmente equivocada das leis antitruste” e “baseado em uma representação incorreta da competição no entretenimento”. A companhia argumenta que a fusão reforçaria sua posição para disputar espaço com gigantes do streaming, como a Netflix.

“Qualquer tentativa de bloquear essa transação mina os próprios princípios que a lei antitruste pretende promover: mais competição, mais escolha para consumidores e mais oportunidades para criadores e trabalhadores”, afirma a empresa.

Warner Bros. Discovery não se manifestou de forma independente, mas vem reiterando o discurso de que a escala adicional é necessária para sustentar investimentos em produção original e tecnologia de distribuição.

Próximos passos judiciais

Os estados pediram uma ordem restritiva temporária (TRO) e uma liminar preliminar para congelar o negócio enquanto o mérito é julgado. Caso a corte acate o pedido e, posteriormente, decida pelo bloqueio definitivo, a fusão seria proibida. Do lado das empresas, uma vitória habilitaria a conclusão do acordo — salvo novos questionamentos em cortes superiores ou em outras jurisdições.

Vale lembrar que o negócio também é analisado por órgãos reguladores na União Europeia, onde, segundo agências de notícias, autoridades analisam remédios concorrenciais propostos pelas companhias. Reveses em qualquer foro podem atrasar ou até inviabilizar a união global.

Reação do mercado

Curiosamente, Wall Street não deu sinais de pânico. As ações da Paramount Skydance Corporation (PSKY) fecharam a terça-feira em alta de 1,49%, a US$ 9,55, e permaneceram estáveis no pré-mercado seguinte. Os papéis da Warner Bros. Discovery (WBD) avançaram 1,88%, para US$ 27,09, e somaram mais 0,2% antes da abertura. Para investidores, a leitura inicial é de que o litígio, embora relevante, ainda não altera a probabilidade de conclusão da operação.

Na avaliação do Editorial S&N, a resposta positiva dos acionistas reflete dois pontos: primeiro, o histórico de fusões midiáticas que enfrentam barreiras iniciais, mas acabam liberadas mediante concessões; segundo, a percepção de que a escala é vista como vital em um cenário de receitas publicitárias voláteis e crescimento mais lento dos streamings. Ainda assim, o risco regulatório volta ao centro do tabuleiro e pode influenciar decisões de investimento em todo o setor audiovisual.

Enquanto isso, executivos dos estúdios precisam lidar com a incerteza operacional — contratos de produção, parcerias internacionais e planos de lançamento podem sofrer ajustes enquanto aguardam o desfecho jurídico. Para redes exibidoras e provedores de cabo, a ação judicial representa uma tentativa de manter poder de barganha num mercado cada vez mais concentrado.

A batalha legal, portanto, não é apenas sobre a fusão em si, mas sobre qual modelo de negócio prevalecerá na nova fase do entretenimento global. O desenrolar do caso indicará até que ponto autoridades estaduais conseguem impor limites às estratégias de consolidação em um mercado onde tamanho e catálogo são armas centrais.

Editorial S&N continuará acompanhando cada capítulo desse roteiro corporativo bilionário.

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