Realtor.com registrou, em junho, recuo de 1,5% no aluguel mediano dos 50 maiores centros urbanos dos Estados Unidos, fixado em US$ 1.692. É a terceira queda anual consecutiva e, segundo o economista Jiayi Xu, deve estender-se até 2026 – mas apenas nas regiões que mantiverem o acelerador das obras de moradias multifamiliares.
O levantamento conecta duas variáveis: a enxurrada de novos apartamentos lançados após o pico de preços na pandemia e a diferença, cidade a cidade, no ritmo de emissão de permissões de construção. Como relembra Xu, “aluguel sustentável vem de mais oferta”, meta que passa longe de ser uniforme pelo país. Para o leitor que acompanha a editoria Economia & Finanças, o dado reforça a correlação entre políticas locais de urbanismo e o bolso do consumidor.
Cidades com chances de manter a queda do aluguel
O relatório aponta seis áreas metropolitanas “bem posicionadas” para prolongar a trajetória de alívio graças a pipelines robustos de edifícios multifamiliares:
- Columbus (Ohio)
- Las Vegas (Nevada)
- Oklahoma City (Oklahoma)
- Birmingham (Alabama)
- Providence (Rhode Island)
- Cleveland (Ohio)
Não há um único fator comum entre elas. Columbus colhe frutos de reformas de zoneamento que facilitaram novas licenças; Las Vegas experimenta normalização após forte disparada; já Birmingham, Providence e Cleveland, historicamente com estoques escassos, agora veem uma “segunda onda” de canteiros que pode redefinir mercados antes estagnados.
Embora fora da lista principal, Orlando, Miami e Jacksonville superaram Columbus no aumento anual de permissões. A exceção floridiana sugere que um choque de oferta consistente também desponta onde o crescimento populacional continua acelerado.
Onde o inquilino pode voltar a ser pressionado
No extremo oposto, seis metrópoles figuram entre as de maior risco para quem aluga, justamente porque a liberação de novas unidades arrefeceu:
- Austin (Texas)
- Charlotte (Carolina do Norte)
- Seattle (Washington)
- Nova York (Nova York)
- Washington, D.C.
- Boston (Massachusetts)
Em Nova York, o congelamento de aluguéis em imóveis estabilizados – aprovado em junho pela Junta de Diretrizes de Aluguel, cumprindo promessa de campanha do prefeito Zohran Mamdani – protege moradores atuais, mas não amplia a oferta total. Xu frisa o limite dessa estratégia:
“Rent control and rent freezes can protect the renters already in a unit, but they don’t do anything to bring the market rate down for everyone else.”
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Boston e Washington, que também recuaram na emissão de licenças, podem enfrentar dilema semelhante: controlar reajustes sem resolver a base da equação – a falta de novos apartamentos.
Para além dos números
Na leitura do Editorial S&N, o estudo coloca holofote sobre uma disputa de narrativas que interessa a gestores públicos e investidores imobiliários: enquanto parte dos municípios aposta em incentivos à construção, outros dobram a aposta em congelamentos de preço. O contraste já afeta decisões de migração interna nos EUA e, ao longo dos próximos dois anos, tende a influenciar custos de instalação de equipes para empresas que buscam reduzir despesas operacionais.
Até 2026, a palavra-chave é previsibilidade. Onde as licenças continuam em alta, incorporadores ganham escala e o inquilino enxerga trégua no orçamento. Já nas praças com freio em novas obras, a desaceleração atual corre o risco de ser apenas uma pausa antes de nova escalada.
Para quem acompanha o mercado estrangeiro a partir do Brasil, a pesquisa do Realtor.com serve como termômetro de como políticas de uso do solo impactam preços em ciclos curtos. O princípio vale, guardadas as proporções, para qualquer grande cidade: excesso de demanda sem resposta de oferta costuma desembocar em aluguel mais caro – e o contrário também é verdadeiro.
No jogo de xadrez urbano, construção multifamiliar é a peça que decide se o tabuleiro seguirá favorável ao inquilino ou se voltará a pressionar quem procura moradia. Por ora, Columbus, Las Vegas e seus pares seguem em vantagem – mas, como lembram os dados, a partida ainda não acabou.


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