IBGE entrou oficialmente no radar de tensões do funcionalismo. A Assibge, entidade que representa os servidores do instituto, divulgou em 13 de julho um cronograma de assembleias em todo o país para discutir a deflagração de uma greve nacional a partir de 5 de agosto.
Segundo a nota, os encontros ocorrerão até o fim de julho e devem reunir trabalhadores dos 26 estados e do Distrito Federal. O resultado será consolidado nos primeiros dias de agosto, quando a categoria decidirá se paralisa ou não as atividades de coleta, processamento e divulgação das estatísticas oficiais.
O movimento, caso aprovado, poderá atrasar calendários como o das pesquisas mensais de emprego, inflação, produção industrial e o acompanhamento do Censo Demográfico. Para o mercado financeiro e empresas que dependem desses indicadores, a suspensão representaria perda temporária de visibilidade sobre a atividade econômica. O tema se conecta a discussões sobre finanças públicas, disponíveis em nossa editoria de Economia & Finanças.
O que está em jogo para os servidores do IBGE
A Assibge não detalhou, no comunicado, reivindicações salariais ou condições de trabalho específicas, mas indicou que a pauta envolve reposição de perdas inflacionárias e reestruturação de carreira, pontos recorrentes em mobilizações do funcionalismo federal. A categoria argumenta que o congelamento de remunerações nos últimos anos corroeu o poder de compra e enfraqueceu a capacidade técnica do instituto.
De acordo com o calendário divulgado, cada regional do IBGE deverá encaminhar ata com o resultado das assembleias para a direção da Assibge até 31 de julho. Se houver maioria favorável à greve, a paralisação começa formalmente em 5 de agosto, respeitando o prazo legal de aviso prévio de 72 horas aos gestores do instituto e ao Ministério da Gestão e Inovação.
O IBGE ainda não se pronunciou sobre o calendário de assembleias. Em episódios semelhantes no passado, a instituição manteve equipes mínimas para salvaguardar sistemas de coleta eletrônica e evitar perda de séries históricas. A depender da adesão, porém, publicações podem ser adiadas.
Para a S&N, esse movimento indica que as negociações salariais do funcionalismo federal, previstas para o segundo semestre, se aproximam de um ponto crítico. Outros órgãos que produzem dados estratégicos para o país observam de perto o desenrolar no IBGE. Uma greve consolidada tende a fortalecer reivindicações cruzadas e pavimentar um cenário de pressões simultâneas sobre o Tesouro Nacional.
A próxima etapa será conhecida na virada de julho para agosto, quando a entidade sindical divulgará o balanço das assembleias. Até lá, empresas, investidores e formadores de política econômica acompanham, calculadora em punho, o risco de ficar temporariamente no escuro em relação aos números oficiais do Brasil.


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