Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) acaba de dimensionar o tamanho da lacuna de proteção no mercado de seguros brasileiro: mesmo com arrecadação de R$ 764,5 bilhões em 2025, apenas 29% dos automóveis e 17% das residências do país contam com cobertura.
O estudo, preparado pela Comissão de Inteligência de Mercado da entidade com dados de seguradoras que respondem por 56% do faturamento setorial, mapeia renda, faixa etária, gênero e localização dos contratantes. A leitura expõe quem já está protegido, onde estão os riscos descobertos e, sobretudo, o potencial de crescimento de um segmento que vem avançando 52% desde 2020.
Segundo a CNseg, a classe média — famílias com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120 — tornou-se protagonista. Para a S&N, esse movimento indica maturidade financeira desse grupo e revela uma porta de entrada para produtos mais sofisticados de gestão patrimonial, tema recorrente na editoria Economia & Finanças da revista.
Cobertura automotiva cresce, mas ainda alcança 29% da frota
No seguro Automóvel, 41% dos segurados pertencem à classe C, 24% à classe B e 23% à classe D (renda entre R$ 2.824 e R$ 5.648). A carteira é majoritariamente masculina (51%) e formada por adultos em idade produtiva: 29% têm entre 36 e 45 anos, enquanto 26% ficam entre 46 e 55 anos.
Regionalmente, o Sudeste concentra 53% dos clientes, seguido por Sul (16%) e Centro-Oeste (15%). O valor do bem também ajuda a definir a adesão: 46% dos veículos segurados valem até R$ 70 mil e outros 27% situam-se entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.
Ainda assim, cruzamento com a base da Secretaria Nacional de Trânsito revela que, dos 63,3 milhões de automóveis registrados em dezembro de 2024, somente 18 milhões estavam segurados. Na leitura do Editorial S&N, a combinação de crédito restrito, percepção de custo e informalidade na mobilidade ajuda a explicar por que sete em cada dez carros circulam sem apólice.
Seguro residencial avança devagar, mesmo com eventos climáticos
Entre os lares brasileiros, o quadro é ainda mais desafiador. Estimativas da CNseg, ancoradas em números do Censo do IBGE e da FenSeg, mostram que só 17% das moradias contam com seguro Residencial. Os contratantes são, em média, mais experientes: 24% têm entre 56 e 65 anos e 17% superam 65 anos.
A distribuição de renda é equilibrada — 31% classe C, 27% classe D, 21% classe B — e a predominância geográfica se mantém no Sudeste (56%), à frente de Sul (15%), Nordeste (13%), Centro-Oeste (11%) e Norte (5%). O diretor técnico da CNseg, Alexandre Leal, aponta que até regiões repetidamente afetadas por temporais, como o Sul, exibem baixa penetração e que o setor discute produtos mais simples, personalizáveis e acessíveis para destravar a demanda.
Para a S&N, a frequência de eventos climáticos extremos pressiona negócios e famílias a repensarem a proteção patrimonial; a expectativa é que a conscientização ambiental se converta em prêmios mais altos nos próximos ciclos.
Capitalização é a porta de entrada para famílias de menor renda
Os títulos de Capitalização se destacam pela forte adesão da base da pirâmide. O relatório indica que 38% dos clientes estão na classe E e 24% na classe D. O Sudeste ainda lidera (30%), mas as demais regiões detêm fatias mais equilibradas: Sul (25%), Nordeste (19%), Centro-Oeste (15%) e Norte (11%).
Quase metade dos participantes contribui com até R$ 300 por mês, e 55% dos produtos preveem sorteios médios de até R$ 70 mil — combinação que, segundo Leal, populariza o instrumento como “porta de entrada” para o mercado financeiro entre famílias de menor renda.
Na prática, a Capitalização se posiciona como uma solução culturalmente próxima da poupança, com estímulo de sorteio, contribuindo para a educação financeira gradual de estratos que ainda não acessam seguros tradicionais.
Setor mira expansão mesmo em ambiente macroeconômico adverso
A arrecadação setorial saltou de R$ 501,3 bilhões em 2020 para R$ 764,5 bilhões em 2025, enquanto os pagamentos aos segurados cresceram 70% no período, atingindo R$ 548,4 bilhões. Para 2026, a CNseg projeta receita de R$ 808,5 bilhões, alta de 5,8% apesar de juros elevados e inflação próxima de 5%.
Dois segmentos aparecem como catalisadores desse avanço: seguros habitacionais, com expectativa de crescer 12,3%, e seguro Automóvel, estimado em 7,8%, sustentado pela retomada das vendas de veículos, inclusive híbridos e elétricos.
Na opinião do Editorial S&N, a combinação de envelhecimento populacional, urbanização e digitalização tende a ampliar a sensibilidade de famílias e empresas para riscos antes ignorados. O desafio imediato das seguradoras será unir simplicidade de produtos, distribuição digital e educação financeira para converter o vasto “gap de proteção” em base de clientes — movimento que pode redefinir a concorrência no mercado de seguros brasileiro até o fim da década.
Editorial S&N acompanha de perto as movimentações das companhias que buscam esse espaço e seguirá atualizando o leitor sobre as estratégias que despontarem como vencedoras.


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