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Trionda: nova bola da Copa 2026 privilegia controle ao alcance

Resumo

Trionda, a bola oficial da Copa do Mundo que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, foi submetida a ensaios aerodinâmicos que revelam um...

Trionda, a bola oficial da Copa do Mundo que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, foi submetida a ensaios aerodinâmicos que revelam um paradoxo: ela garante trajetória previsível, mas tende a percorrer alguns metros a menos em lançamentos de longa distância.

Física por trás do novo design

O comportamento da Trionda foi mapeado por um consórcio de pesquisadores que há duas décadas acompanha cada edição da Copa. O grupo, integrado por John Eric Goff — físico do esporte prestes a assumir posto de professor de prática em engenharia na Universidade Purdue — utilizou o túnel de vento da Universidade de Tsukuba, no Japão, para medir forças de arrasto e sustentação entre 7 e 35 m/s, faixas típicas de um jogo profissional.

Pesquisadores da Universidade de Tsukuba mediram o arrasto da Trionda em velocidades de 7 a 35 m/s. O estudo concluiu que a crise de arrasto da Trionda ocorre na velocidade mais baixa desde 2010, mas seu coeficiente de arrasto em altas velocidades é o maior da última década.

Cada teste exige prender a bola a uma haste metálica conectada a uma balança de forças; o procedimento danifica o material, razão pela qual apenas algumas orientações são analisadas — cada unidade custa cerca de US$ 170. A partir dos dados coletados, Goff simula trajetórias completas por meio de código próprio.

Do Jabulani à Trionda: lições de duas décadas

A Adidas cria um modelo exclusivo para a Copa desde os anos 1970. Durante 30 anos, predominou a estrutura de 32 gomos costurados. Essa fórmula foi rompida em 2006, com a +Teamgeist de 14 gomos unidos por colagem térmica. Quatro anos depois, a Jabulani, de oito gomos, tornou-se célebre pelas queixas de goleiros: a superfície lisa antecipava a chamada crise de arrasto, fazendo a bola “mergulhar” de maneira imprevisível.

Com a Brazuca (2014), a fabricante respondeu aumentando o comprimento total das emendas, ainda que tenha reduzido o número de gomos para seis. A estratégia prossegue agora: a Trionda ostenta apenas quatro painéis, cada qual recortado por três sulcos profundos e decorado com folha de bordo, águia verde e estrela — referências aos três países-sede.

Segundo John Eric Goff, a nova bola pode reduzir em alguns metros a distância de chutes longos, embora ofereça voo mais previsível. Goleiros, zagueiros que realizam lançamentos e atacantes que arriscam de média e longa distância devem perceber primeiro a diferença.

O princípio é o mesmo que justifica as covinhas em bolas de golfe: alguma rugosidade retarda a transição para o regime de alto arrasto. Na Trionda, essa transição acontece mais tarde do que nas versões recentes, mas o coeficiente de arrasto é relativamente alto nas maiores velocidades; daí o encurtamento do alcance.

O que muda em campo

Chutes potentes tendem a perder velocidade mais cedo; em contrapartida, a estabilidade aumenta, reduzindo variações bruscas de trajetória. Para os atletas, a adaptação começou meses antes do torneio: a bola foi distribuída a seleções e clubes e compartilha semelhanças de textura com a Flight, da Nike, usada em várias ligas.

A Adidas conduz testes próprios — que, segundo o New York Times, incluíram robôs que chutam a bola em velocidades específicas e ensaios em sete dos 16 estádios da Copa. O grupo acadêmico mantém diálogo contínuo com a FIFA e com a empresa alemã, fornecendo dados independentes que podem calibrar ajustes futuros.

“A visão simples é que a Trionda pode penalizar muito levemente distâncias extremas, mas deve recompensar uma técnica limpa e um voo previsível”, resume Goff.

Para um evento que movimenta bilhões e prende a atenção de metade do planeta, poucos detalhes são tão determinantes quanto o comportamento da bola. Os estudos mostram que, em 2026, a ciência por trás do esporte jogará a favor da precisão — ainda que à custa de alguns metros no placar das estatísticas de distância.

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Fonte institucional complementar: FIFA

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