Sonho & Negócios (S&N)®
Contato

Técnico da COTA soma US$ 352 mil em 2025 e reacende debate sobre horas extras

Resumo

Central Ohio Transit Authority (COTA) voltou aos holofotes depois que o técnico de manutenção Keith White encerrou 2025 com US$ 352.904 em rendimentos...

Central Ohio Transit Authority (COTA) voltou aos holofotes depois que o técnico de manutenção Keith White encerrou 2025 com US$ 352.904 em rendimentos – soma que inclui quase US$ 230 mil em horas extras, segundo planilha salarial divulgada pelo jornal The Columbus Dispatch. O valor colocou o funcionário logo abaixo da presidente e CEO Monica Téllez-Fowler no ranking de remunerações da empresa pública de transporte.

O contracheque de White parte de um salário-base de aproximadamente US$ 66 mil. A isso se somaram US$ 228 mil em horas extras, bônus de US$ 550 e outros US$ 57 mil referentes a férias e licenças não gozadas. A marca só foi possível porque, de acordo com o sindicato TWU Local 208, o trabalhador não tirou sequer um dia de folga nos últimos dez anos. “Ele literalmente trabalha todos os dias”, descreveu Bobby Berryhill, secretário financeiro da entidade.

Para quem acompanha a dinâmica de custos no setor público norte-americano, o caso escancara a força que as horas extras ainda exercem sobre o orçamento de autarquias regionais, sobretudo onde há déficit de mão de obra especializada.

Horas extras fora da curva

Pelos termos do acordo coletivo com o TWU Local 208, profissionais de manutenção podem se voluntariar para turnos adicionais e trocar horários entre si. Como as oficinas da COTA funcionam 24 horas por dia para atender a frota de ônibus, sempre há janelas de trabalho disponíveis. A crônica falta de técnicos – reconhecida pela própria autoridade de trânsito – amplia espaço para jornadas prolongadas.

Na prática, o mecanismo multiplicou salários. Além de White, outros seis mecânicos surgem entre os 25 maiores vencimentos de 2025, todos impulsionados por dezenas de milhares de dólares em horas extras. Mesmo assim, a executiva Monica Téllez-Fowler liderou a folha do ano com US$ 499.114, diferença de menos de US$ 150 mil para o segundo colocado.

“Nossos membros ganham cada centavo”, afirmou Berryhill, rebatendo críticas de que o sistema seria abusivo.

Reação pública

Postagens em redes sociais dividiram opiniões. Perfis no Instagram agradeceram a dedicação de White e ironizaram: “Columbus claramente funciona graças ao Keith”. Outro grupo de usuários, contudo, criticou a estrutura que permite tamanha dependência de um único funcionário. “Se há demanda para um técnico adicional, não se faz um trabalhar horas extras por anos; contrata-se outro”, argumentou um comentarista.

O debate ganhou contornos nacionais quando internautas compararam o episódio ao do encanador Jakub Markowski, supervisor na agência de habitação pública de Nova York que faturou US$ 465 mil em 2025, incluindo 2.560 horas extras e duas empresas privadas paralelas, segundo investigação do The New York Times. Para parte do público, o paralelo evidencia até onde pode ir um modelo baseado em horas excedentes; para outros, o contexto de White seria diferente, pois ele apenas explora “um sistema quebrado”, sem indícios de conflito de interesses.

Gestão em xeque

A direção da COTA admite que contratar novos técnicos não é simples. O porta-voz Jeff Pullin explicou ao The Columbus Dispatch que a função exige formação prática. “Isso significa tirar profissionais experientes da manutenção da frota para treinar novatos; menos gente habilitada nos ônibus gera ainda mais horas extras”, justificou.

Na leitura do Editorial S&N, o caso ilustra um impasse comum em serviços essenciais: manter a operação 24/7 com equipes enxutas pode sair mais caro do que ampliar o quadro. Horas extras funcionam como válvula de escape imediata, mas empilham custos ocultos – do desgaste físico do funcionário ao risco de dependência operacional.

Para investidores e gestores brasileiros, o episódio serve de alerta. Modelos que privilegiem bancos de horas ou escalas dinâmicas, associados a programas contínuos de capacitação, podem reduzir a fatura trabalhista sem comprometer a disponibilidade do serviço. Já sindicatos e conselhos fiscais ganham argumento adicional para exigir transparência em folhas de pagamento e métricas de produtividade.

Enquanto isso, Keith White segue sem folga prevista no calendário. Caso mantenha o ritmo, deve permanecer entre os maiores salários da COTA em 2026 – lembrete de que, quando a engrenagem de recursos humanos falha, é o relógio de ponto que dita o tamanho da conta.

Discussão

Comentários

Participe com respeito. Comentários passam por proteção anti-spam simples.

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

Proteção anti-spam leve, sem plugin externo.