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Quatro microrreatores dos EUA alcançam criticidade antes do prazo

Resumo

Antares Nuclear, Valar Atomics, Deployable Energy e Aalo Atomics cruzaram, antes de 4 de julho, o ponto de criticidade em seus microrreatores...

Antares Nuclear, Valar Atomics, Deployable Energy e Aalo Atomics cruzaram, antes de 4 de julho, o ponto de criticidade em seus microrreatores experimentais, ultrapassando a meta que o governo Trump fixara em 2023 para celebrar o 250º aniversário dos Estados Unidos.

Segundo o cronograma oficial, a Antares foi a primeira a acender o núcleo, em junho, com o Mark-0. Na sequência, Valar, Deployable e Aalo chegaram ao mesmo estágio, esta última na virada do dia 4 de julho, literalmente em cima da linha. Para a S&N, esse ritmo revela como a combinação de capital privado e infraestrutura pública pode encurtar ciclos de teste em um setor historicamente marcado por atrasos e estouros de orçamento.

O teste executado pelas quatro companhias é classificado como “criticidade à potência zero”: confirma que o reator consegue sustentar a reação em cadeia, mas sem gerar calor ou eletricidade em escala útil. Em entrevista ao podcast Catalyst, reproduzida pelo DoE, a professora Kathryn Huff contextualizou:

“Um teste de criticidade à potência zero pode ser realizado sem que haja um progresso real de engenharia no combustível ou no projeto.”

Na prática, portanto, o marco representa o início — não o fim — do caminho rumo à produção comercial. As startups ainda precisam instalar sistemas de resfriamento, turbinas e blindagens, além de validar protocolos de segurança completos. Mesmo assim, todas projetam agendas ambiciosas. A Aalo já começou a construir o segundo reator e quer entregar 10 MW a um data center local em 2027. A Deployable Energy fala em vender unidades comerciais até 2028.

O entusiasmo contrasta com a cautela de analistas setoriais. A Comissão Reguladora Nuclear (NRC), responsável por licenciar usinas civis, propôs neste ano um novo rito específico para microrreatores. Ainda não se sabe, porém, quanto tempo o processo realmente levará — nem se o corpo técnico aceitará todas as premissas de design das novatas. Um memorando do think tank Third Way considera o foco federal em protótipos “um desvio pouco útil” dos esforços para elevar a capacidade nuclear de forma significativa:

“Acelerar artificialmente os cronogramas dos projetos é uma solução de curto prazo, não uma correção de longo prazo.”

Embora o DoE não tenha divulgado valores individuais, o suporte logístico e a cessão de terrenos reduzem substancialmente o risco das startups. O Programa Piloto também permite testar combustíveis avançados, fator estratégico num mercado global cada vez mais preocupado com segurança de suprimento e redução de emissões.

A categoria de Tecnologia da S&N acompanha de perto iniciativas que combinam inovação dura e urgência climática. Na leitura do Editorial S&N, a conquista dos quatro protótipos envia dois sinais contraditórios: por um lado, demonstra que barreiras de entrada podem cair rapidamente; por outro, antecipa um choque regulatório caso o ímpeto das startups encontre um sistema de licenciamento que avança a passo mais lento.

O histórico recente ajuda a calibrar expectativas. Grandes projetos como Vogtle, na Geórgia, levaram mais de uma década para ser concluídos, acumulando sobrecustos bilionários. Microrreatores prometem modularidade e construção em fábrica, mas continuam sujeitos ao rigor nuclear. Kathryn Huff reforça que equipamentos adicionais, entre eles trocadores de calor e sistemas de contenção, ainda precisam ser integrados e testados em condições reais antes de qualquer despacho para a rede.

Pelo cronograma oficial, o DoE publicará relatórios de acompanhamento semestrais. Caso as empresas cumpram as próximas etapas, o primeiro fornecimento experimental de eletricidade poderia ocorrer dentro de três a quatro anos. Até lá, investidores e reguladores terão de equilibrar a pressão por velocidade com a tolerância zero a falhas característica da indústria.

Em síntese, o 4 de julho de 2026 entrou para a história nuclear norte-americana como data simbólica de um avanço técnico. Resta ver se os microrreatores conseguirão, de fato, migrar do pátio de testes para o portfólio de geração central do país — e em que escala esse modelo contribuirá para a matriz energética de baixo carbono.

Editorial S&N

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