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Stripe e Advent fazem oferta de compra do PayPal de US$ 53 bi

Resumo

PayPal recebeu uma oferta de compra conjunta feita pela fintech Stripe e pela gestora de private equity Advent International, movimentação que...

PayPal recebeu uma oferta de compra conjunta feita pela fintech Stripe e pela gestora de private equity Advent International, movimentação que instantaneamente valorizou os papéis da companhia e recolocou a gigante dos pagamentos no centro do noticiário financeiro. A proposta, revelada pela agência Reuters, avalia a empresa em cerca de US$ 53 bilhões e acirra o debate sobre o futuro da veterana plataforma criada no fim dos anos 1990.

Segundo a reportagem, Stripe e Advent ofereceram US$ 60,50 por ação — prêmio de 28% sobre o fechamento de US$ 47,37 registrado ontem na Nasdaq. O lance teria sido encaminhado no início de julho e, até o momento, não recebeu resposta oficial do conselho do PayPal. Embora os interlocutores não tenham sido identificados, o simples vazamento da negociação levou o papel a subir quase 20% no pré-mercado, cotado a US$ 56,72.

Para a S&N, a investida mostra como as fronteiras entre incumbentes e novatas do setor de pagamentos se tornaram mais porosas nos últimos anos — tema recorrente na editoria de Economia & Finanças que acompanha o avanço dos meios digitais.

O que atrai Stripe e Advent

Com valor privado estimado em US$ 159 bilhões (fevereiro), a Stripe construiu reputação ao conectar contas bancárias de empresas a métodos de pagamento de consumidores, dominando transações B2B e back-office de e-commerce. Já o PayPal é forte em transferências peer-to-peer e mantém base global de usuários fiéis — consumidores e pequenos negócios que enxergam segurança na marca.

Ao adquirir o PayPal, a Stripe passaria a acessar instantaneamente um público de varejo que tradicionalmente não é seu core, enquanto Advent ganharia fatia relevante em um negócio de fluxo de caixa robusto e marca consolidada. Reuters indica que o plano é manter a companhia íntegra, sem desmembramentos, o que facilitaria sinergias operacionais.

Perspectiva de venda: alívio ou risco?

Embora o PayPal tenha sido sinônimo de pagamento on-line nas duas primeiras décadas dos anos 2000, concorrentes como Apple Pay e Google Pay simplificaram a experiência móvel e roubaram market share. Em 2021, as ações atingiram o pico histórico de US$ 291, mas derreteram desde então, acompanhando a desaceleração do e-commerce pós-pandemia e o avanço de tecnologias rivais.

Para investidores que viram o papel perder mais de 80% de valor em três anos, o cheque de US$ 53 bilhões pode soar tentador. Na leitura do Editorial S&N, caso o conselho aceite negociar, o movimento poderá inaugurar novo ciclo de consolidações em fintechs maduras que buscam escala e renovação tecnológica sem abrir mão de marcas conhecidas.

Em fevereiro, a companhia promoveu troca no comando: o então CEO Alex Chriss foi substituído por Enrique Lores, que deixou a liderança da HP. Na ocasião, Lores destacou o cenário de mudanças rápidas na indústria de pagamentos:

“O setor está mudando mais rápido do que nunca, impulsionado por novas tecnologias, regulações em evolução, um ambiente competitivo crescente e a aceleração da inteligência artificial, que redefine o comércio diariamente.”

Se, mesmo diante desse discurso de reinvenção, a administração enxergar na proposta de Stripe e Advent uma rota mais segura de geração de valor, a venda pode avançar. Caso rejeite, o PayPal terá de demonstrar plano convincente de crescimento orgânico para evitar pressão dos acionistas.

Reação imediata do mercado

  • Ações do PayPal chegaram a disparar 19,87% no pré-mercado, alcançando US$ 56,72.
  • A cotação continua abaixo dos US$ 60,50 oferecidos, sinal de que investidores ainda ponderam probabilidade de fechamento do negócio.
  • Stripe e Advent não comentaram publicamente o assunto até o fechamento deste texto; o PayPal também se mantém em silêncio.

Nos bastidores de Wall Street, analistas já debatem possíveis cenários: manutenção da proposta original, aumento do preço por ação ou até a entrada de um terceiro interessado. O desfecho tende a influenciar não apenas o valuation de fintechs listadas, mas também a estratégia de Big Techs que disputam espaço na carteira digital do consumidor.

Para quem acompanha o setor, o lance sobre o PayPal reforça que a próxima fronteira de competição não será apenas tecnologia, mas quem detém relacionamento direto com o usuário final — algo que o veterano de San José ainda possui em larga escala. Se a transação avançar, 2024 poderá ser lembrado como o ano em que o mercado de pagamentos ganhou novo desenho societário.

Editorial S&N continuará monitorando os movimentos e impactos da oferta de compra do PayPal nos próximos capítulos desta disputa bilionária.

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