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Para onde vão as mulheres 50+? Empresas perdem talento sênior em silêncio

Resumo

McKinsey e LeanIn descobriram um paradoxo eloquente: para cada mulher promovida à diretoria, duas abandonam a organização. O dado, extraído do estudo...

McKinsey e LeanIn descobriram um paradoxo eloquente: para cada mulher promovida à diretoria, duas abandonam a organização. O dado, extraído do estudo Women in the Workplace 2022, expõe a falha estrutural que empurra profissionais experientes para fora justamente quando elas deveriam ocupar o topo da pirâmide.

A estatística não é um ponto fora da curva. Segundo a ABC News, mais de 48 milhões de norte-americanos prestaram cuidados não remunerados em 2023, num valor estimado de US$ 600 bilhões. A maioria são mulheres em plena maturidade profissional, fase em que suas empresas esperam performance máxima. A desconexão entre expectativa corporativa e realidade de vida tem provocado um êxodo silencioso de talento, tema que o Editorial S&N acompanha de perto.

Dados que escancaram o gargalo

O esgotamento não vem apenas do “segundo turno” imposto pelo cuidado a pais, cônjuges ou irmãos. O corpo entra na equação. A Mayo Clinic calculou em US$ 26,6 bilhões anuais o custo da menopausa para a economia dos EUA — cifra que desconsidera as mulheres que simplesmente pedem demissão. Rachel (nome fictício), vice-presidente executiva de uma marca de consumo, relatou ter antecipado a aposentadoria por conta do forte nevoeiro mental da perimenopausa.

Somam-se aí vieses etários. Pesquisa divulgada pela Harvard Business Review em 2023 descreve o padrão “never right”: o mesmo cabelo grisalho que confere prestígio a um executivo faz uma executiva parecer ultrapassada. A mensagem implícita é inequívoca — experiência masculina é aposta, experiência feminina é passado.

Os exemplos pessoais dão rosto aos números. Brenda, vice-presidente de filantropia, respirava aliviada com o filho formado quando o marido recebeu diagnóstico de ELA. A rotina de captação de verbas perdeu espaço para consultas, licenças pelo FMLA e noites sem dormir. Jean, parceira sênior sem filhos, foi a “tapa-buracos” de colegas durante 20 anos; hoje encara pais fragilizados e a mesma sensação de irrelevância.

O que está errado na arquitetura de carreira

Boa parte das políticas corporativas foi desenhada para uma única estação da vida feminina: a maternidade inicial. Entre salas de lactação improvisadas e licenças-padrão, o foco esteve no bebê contra a ambição. Passada essa fase, a estrada some do mapa. “Eu procurei o roteiro que entregava a meus clientes e não havia nada”, resume a autora do ensaio original publicado na Fast Company, que viveu dilema semelhante ao cuidar da mãe em estado agudo após sucessivas quedas.

Na leitura do Editorial S&N, esse desenho truncado custa caro às organizações. Perder líderes no pico de capital relacional e conhecimento institucional impacta inovação, cultura e resultados financeiros — justamente os vetores que conselhos de administração declaram proteger.

Três ajustes de desenho — propostos na fonte — que podem conter a sangria

  • Encarar o cuidado como ciclo, não exceção. Licenças, flexibilidade e caminhos de retorno precisam contemplar ondas de 40 anos, não só fraldas e pré-escola. E devem valer para todos, por política — não como favor negociado a portas fechadas.
  • Auditar o futuro versus o passado. Se as mulheres mais experientes estão em painéis “legado” enquanto projetos estratégicos vão para profissionais 15 anos mais jovens, existe padrão, não coincidência. O alto potencial precisa de patrocínio dentro da década de maior remuneração, não da carta de despedida.
  • Tornar a menopausa assunto ordinário. Treinamento gerencial, ajustes de ambiente e permissão para nomear o tema reduzem um motor oculto de evasão, assim como aprender a lidar com gravidez fez décadas atrás.

A autora ainda recomenda projetar uma vida laboral de 50 anos para todos os gêneros, com rotas laterais e “segundos atos” reais para profissionais de 50 e 60 anos. “O talento mais capaz da sala muitas vezes é aquele que você já descartou”, provoca.

Para a S&N, o recado é claro: retenção e diversidade não se resolvem com webinars sobre resiliência ou grupos de afinidade, mas com engenharia organizacional. CEOs que se queixam de pipeline feminino enxuto precisam perguntar onde ele entope — e o estudo McKinsey/LeanIn oferece o primeiro alarme estatístico.

As histórias citadas descrevem mulheres que atravessaram a parte “difícil” — amamentar em closets de estoque, negociar promoções entre datas-previstas — e chegaram do outro lado prontas para liderar. Faltou, porém, a tal terceira porta. Cabe agora às empresas desenhá-la antes que mais experiência seja perdida no corredor de saída.

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