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Vendas no varejo avançam 0,1% em maio e frustram projeções

Resumo

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou alta de apenas 0,1% nas vendas do varejo brasileiro em maio, na comparação com abril....

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou alta de apenas 0,1% nas vendas do varejo brasileiro em maio, na comparação com abril. Em relação a igual mês de 2025, o avanço foi de 0,4%, informou o órgão nesta quinta-feira, 16/07.

O desempenho contraria a pesquisa da Reuters, que apontava consenso de crescimento de 0,5% mês a mês e 1,15% em bases anuais. O desvio reforça sinais de desaceleração no ritmo de consumo das famílias, em meio a juros ainda elevados e inflação resistente em alguns segmentos.

Os números do varejo são acompanhados de perto porque funcionam como termômetro imediato da atividade econômica. Por isso, a surpresa negativa tende a alimentar discussões sobre o fôlego do Produto Interno Bruto no segundo trimestre, tema central na editoria de Economia & Finanças da S&N.

Mercado esperava tração maior

Analistas consultados pela Reuters calculavam que a combinação de programas de transferência de renda e inflação mais contida em alimentos manteria o varejo em trajetória mais robusta. Porém, o resultado de maio mostrou que o impulso segue tímido e concentrado, segundo as estatísticas oficiais.

Pela metodologia da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), publicada pelo IBGE, o levantamento considera oito grupos de atividade, entre eles supermercados, combustíveis, móveis e eletrodomésticos. O órgão não detalhou na divulgação desta quinta-feira quais ramos puxaram a ligeira expansão de 0,1%, mas o recuo generalizado de abril já havia demonstrado fragilidades em setores mais sensíveis a crédito caro.

Leitura S&N: sinal amarelo para o consumo

Para a S&N, esse movimento indica que a fase de recuperação iniciada no segundo semestre de 2025 perdeu intensidade. A diferença entre expectativa e realidade reforça a cautela de varejistas na formação de estoques para o segundo semestre, período tradicionalmente mais aquecido por datas comemorativas.

Além disso, a leitura moderada dos dados pode influenciar as apostas sobre o ciclo de política monetária. Caso o consumo não acelere nos próximos meses, aumenta a pressão para cortes adicionais na taxa básica de juros, hoje vista como obstáculo ao crédito ao consumidor.

“A expectativa era de um número um pouco mais forte”, trouxe o levantamento da Reuters ao destacar a percepção de analistas de mercado.

Na prática, o resultado de maio adiciona incerteza ao cenário de crescimento de 2026. Governos estaduais e empresas de logística acompanham de perto o comportamento do varejo, já que ele impacta arrecadação de ICMS e planos de expansão de centros de distribuição.

Agora, o foco se volta para o desempenho de junho, quando costumeiramente as vendas se beneficiam de promoções ligadas ao Dia dos Namorados. Caso o IBGE reporte nova surpresa negativa, o debate sobre revisões de PIB no ano ganhará corpo.

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