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EUA elevam tarifas a 25% e pressionam indústria brasileira, aponta Barral – 16/07/2026

Resumo

Governo dos Estados Unidos oficializou na noite de quarta-feira, 15/07, a aplicação de tarifas de 25% sobre uma lista de produtos originários do...

Governo dos Estados Unidos oficializou na noite de quarta-feira, 15/07, a aplicação de tarifas de 25% sobre uma lista de produtos originários do Brasil. A medida, publicada poucas horas antes da meia-noite em Washington, deixa fora do alcance da taxa itens estratégicos para a própria indústria norte-americana, mas transfere o ônus para segmentos tradicionais da manufatura brasileira.

Em avaliação concedida à Folha de S.Paulo e reproduzida por S&N às 11h16 de 16/07, o consultor de comércio exterior Welber Barral afirmou que setores de móveis, calçados e têxteis “sentirão mais o impacto” do tarifaço. Segundo ele, a lista final dos EUA preserva produtos que os americanos “não querem ou não conseguem produzir internamente”, concentrando a barreira nas cadeias em que o Brasil compete diretamente.

Nesta fase, o governo brasileiro ainda não divulgou contramedidas. No fim de 2025, o Congresso aprovou a chamada Lei da Reciprocidade, dispositivo que autoriza a equiparação de tarifas quando parceiros elevam barreiras injustificadas. Barral, porém, rejeita a ideia de que a lei seja um ato de vingança: “Não é uma retaliação automática”, disse ele, reiterando que possíveis ajustes exigem análises de impacto e de legalidade na Organização Mundial do Comércio (OMC). Mais conteúdos do eixo Economia & Finanças podem contextualizar o tema.

Impacto concentrado em três setores

De acordo com o especialista, o encarecimento de 25% atinge principalmente:

  • Móveis de madeira e metal;
  • Calçados de couro e material sintético;
  • Têxteis de algodão e fibras mistas.

Nessas cadeias, a margem de lucro costuma ser apertada e depende da escala de exportação. Um aumento repentino no custo de entrada nos EUA tende a inviabilizar pedidos já negociados e obrigar fábricas brasileiras a redirecionar produção para outros mercados ou reduzir turnos.

Para a S&N, esse movimento indica um risco de desaceleração no polo moveleiro do Sul e na indústria calçadista do Vale dos Sinos, regiões que historicamente dependem do mercado norte-americano. A curto prazo, a combinação de dólar volátil e tarifa elevada pode retrair investimentos em modernização de plantas fabris.

Lei da Reciprocidade em debate

Aprovada em dezembro de 2025 pelo Senado e sancionada em janeiro de 2026, a Lei da Reciprocidade autoriza o Executivo a calibrar tarifas brasileiras quando parceiros comerciais elevam barreiras sem base multilateral. Barral reitera, entretanto, que o dispositivo “não é revide”. Na leitura do Editorial S&N, o comentário do ex-secretário de Comércio Exterior revela preocupação em evitar uma escalada que agrave a insegurança jurídica para exportadores.

No anúncio de 15/07, Washington justificou a elevação com “questões de competitividade” ligadas ao etanol brasileiro e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, mas não apresentou detalhes de cronograma para futuras revisões. A ausência de transparência, na visão de Barral, aumenta a imprevisibilidade.

Além do impacto direto, as novas tarifas podem estimular compradores norte-americanos a repensar contratos com fornecedores brasileiros, favorecendo concorrentes asiáticos isentos da sobretaxa. Setores de alto valor agregado, como automação industrial, escaparam da lista, reforçando que o filtro teve motivação econômica, não apenas política.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ainda analisa os cenários possíveis. As discussões internas variam entre abrir consultas na OMC, acionar a Lei da Reciprocidade ou apostar em negociação diplomática para reduzir o escopo da tarifa. A percepção de Barral é de que “haverá pressão empresarial imediata”, sobretudo de confecções e curtumes.

No médio prazo, dizem analistas ouvidos por S&N ao longo do semestre, oscilações tarifárias tendem a incentivar diversificação de destinos, mas a taxa de 25% cria uma barreira alta demais para produtos de menor valor unitário. A busca por acordos bilaterais alternativos deve ganhar força na agenda do Itamaraty.

Encerrada a primeira rodada de reações, o mercado acompanha dois cronogramas cruciais: o prazo para contestações formais do Brasil na OMC e o calendário político norte-americano, que pode alterar o ambiente tarifário após as eleições de novembro. Até lá, móveis, calçados e têxteis brasileiros terão de conviver com margens comprimidas e com a incerteza sobre novos pedidos.

Editorial S&N seguirá monitorando as negociações e os efeitos práticos do tarifaço sobre a capacidade de geração de empregos nas regiões exportadoras.

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