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Trump segura ajuda da FEMA e rejeita mais pedidos de estados democratas

Resumo

Donald Trump levou, em média, um mês e meio para liberar a ajuda da FEMA aos estados norte-americanos desde que iniciou o segundo mandato em 2025,...

Donald Trump levou, em média, um mês e meio para liberar a ajuda da FEMA aos estados norte-americanos desde que iniciou o segundo mandato em 2025, revelam dados da Agência Federal de Gestão de Emergências analisados pela Associated Press (AP). No mesmo período, o presidente negou mais pedidos de socorro vindos de governadores democratas do que de republicanos, aprofundando o recorte político na distribuição de recursos para catástrofes como furacões, enchentes e incêndios.

Os números indicam que 80% das solicitações enviadas por governadores republicanos receberam sinal verde, enquanto apenas 60% dos pleitos democratas tiveram resposta positiva. Quando o recorte acompanha o mapa eleitoral de 2024, a assimetria se amplia: três em cada quatro pedidos de estados que votaram em Trump foram aprovados, contra menos da metade dos que escolheram o adversário. Segundo analistas da AP, nenhum presidente desde 1989 registrou tamanha discrepância.

No início de março, por exemplo, quatro estados governados por democratas — Massachusetts, Nova Jersey, Nova York e Rhode Island — tiveram rejeitado o pedido de verba federal para cobrir os danos de uma nevasca de fevereiro. Parlamentares de Rhode Island reagiram em nota conjunta afirmando que a negativa “faz parte de um padrão de partidarização extrema”. Já a Casa Branca, por meio da porta-voz Abigail Jackson, reiterou que “não há qualquer motivação política” nas decisões presidenciais.

Conteúdos sobre orçamento público e impactos econômicos podem ser consultados na seção Economia & Finanças da S&N.

A diferença de tratamento nos pedidos de ajuda da FEMA

Apesar de a legislação definir critérios objetivos — magnitude dos danos, capacidade de resposta local e perdas econômicas — a palavra final cabe ao presidente. Na prática, Trump vem negando um volume inédito de solicitações: mais de duas dezenas desde 2025. Durante o primeiro mandato, a postura havia sido inversa, com índices de aprovação ligeiramente maiores para estados que não lhe deram voto.

Na leitura do Editorial S&N, a inversão de tendência sugere cálculo político em um cenário pré-eleitoral. Governadores de oposição ficam pressionados a bancar sozinhos despesas de reconstrução, o que pode comprometer folha de pagamento, investimentos e reputação de gestão, enquanto aliados governistas mantêm o fluxo de caixa mais protegido.

Espera média dobra no segundo mandato

Além de mais vetos, a demora para chancelar a ajuda da FEMA praticamente dobrou. Trump leva 45 dias em média para assinar cada declaração de desastre desde 2025; no primeiro mandato, eram três semanas — ritmo equiparável ao de Joe Biden. Os presidentes Barack Obama, George W. Bush, Bill Clinton e George H. W. Bush raramente ultrapassaram 14 dias.

A lentidão tem efeitos concretos: famílias ficam sem recursos para moradia temporária e reparo de residências; prefeituras adiam remoção de escombros e reconstrução de estradas à espera de reembolso federal. Abigail Jackson afirma que o exame mais longo “garante uso apropriado e eficiente do dinheiro público”, mas 70% dos casos autorizados por Trump já ultrapassam 30 dias de espera, ante menos de 10% durante as administrações anteriores.

“Disaster aid should be merit-based, not politicized”, declararam os representantes federais de Rhode Island após a última negativa.

Reforma em estudo pode reduzir ainda mais a verba

Em paralelo, um conselho nomeado por Trump propôs rever as regras de elegibilidade. Entre as ideias estão exigir que estados, territórios e tribos atinjam piso anual de gastos próprios antes de pedir socorro e cortar de 75% para 50% a fatia mínima que Washington cobre nos projetos aprovados. Caso avance no Congresso, o dispositivo transferirá maior ônus financeiro a governos locais — e, paradoxalmente, promete liberar o dinheiro federal restante em até 30 dias da assinatura presidencial.

Outro ponto é fundir diferentes modalidades de apoio individual numa parcela única, voltada apenas a famílias com moradia considerada inabitável. A lógica é simplificar burocracias, mas especialistas ouvidos pela AP alertam para o risco de subfinanciamento de necessidades específicas, como aluguel emergencial ou reparo de infraestrutura comunitária.

A discussão ocorre sob liderança interina: a FEMA já teve quatro diretores temporários desde 2025. O ex-Navy SEAL Cameron Hamilton, substituído em maio de 2025 após criticar a ideia de extinguir a agência, voltou à cena como indicado ao cargo permanente. Em sabatina recente, prometeu “decisões mais rápidas e justas”. Se confirmado, terá de equilibrar pressão política, orçamento enxuto e temporada de furacões que especialistas classificam como potencialmente severa.

Para a S&N, esse movimento indica que a Casa Branca busca remodelar a ajuda da FEMA em vez de acabar com o órgão, mas a conta pode ficar maior para os cofres estaduais — sobretudo em um cenário de calamidades climáticas mais frequentes. Governadores menos alinhados ao presidente, por sua vez, enfrentam o dilema de ampliar fundos próprios ou recorrer ao mercado de capitais para financiar a reconstrução.

Com o calendário eleitoral se aproximando e as projeções meteorológicas apontando temporadas intensas, a distribuição de recursos de emergência deve permanecer no centro do debate fiscal nos EUA.

Com informações da Associated Press (David A. Lieb e M.K. Wildeman).

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