Claudia Woods, ex-CEO da WeWork na América Latina, assumiu a presidência da BAT (British American Tobacco) na América Latina em janeiro do ano anterior. Sua missão é diversificar os negócios da empresa além do setor de cigarros, e para isso, a BAT lançou recentemente um hub de inovação e investimentos no Brasil. O objetivo é estreitar laços com empreendedores, especialmente nas áreas de bens de consumo e tecnologia voltada para o varejo. Esse hub está alinhado com o fundo global de corporate venture capital da BAT, conhecido como BTomorrow Ventures (BTV). Desde sua criação em 2020, o fundo já investiu R$ 1,1 bilhão em 31 startups ao redor do mundo e ainda possui cerca de R$ 2,2 bilhões disponíveis para novos investimentos. O Brasil é um dos mercados prioritários para a empresa neste momento. De acordo com Claudia Woods, a expectativa é que a BAT realize pelo menos dois novos investimentos em startups brasileiras ao longo deste ano. A executiva destaca que o Brasil apresenta dois fatores importantes que atraem a empresa: um mercado robusto com grande potencial de crescimento e um ecossistema de inovação maduro, embora haja uma escassez de capital. A BAT, anteriormente conhecida como Souza Cruz, está passando por uma transformação significativa, com a meta de que até 2035 mais da metade de sua receita global provenha de novos negócios fora do tabaco. O fundo de CVC tem investido em diversos setores, incluindo alimentos e bebidas. Exemplos de startups que receberam apoio incluem a americana More Labs, focada em bebidas funcionais, e a canadense Awake Chocolate. No Brasil, o BTomorrow Ventures já investiu na startup Mais Mu, que atua no segmento de snacks e suplementos saudáveis. Além disso, o fundo busca empresas que desenvolvem tecnologias voltadas para o varejo; um caso notável é o da Uello, uma logtech paulista que foi adquirida pelas Lojas Renner em 2022. O novo hub de inovação não se limita a fornecer capital. A proposta da BAT é oferecer às startups acesso à sua infraestrutura operacional, que inclui uma rede de 250 mil pontos de venda, capacidades de manufatura e logística, além de mais de 120 anos de experiência em distribuição e marketing. Para formalizar essa proposta, a empresa criou o TFactor, uma metodologia desenvolvida em colaboração com empreendedores das startups investidas, visando mapear as capacidades que a BAT pode oferecer além do capital. Claudia Woods enfatiza que a abordagem do CVC da BAT é distinta das práticas comuns do mercado. Em vez de exigir que as startups cresçam conforme a estratégia corporativa da BAT, o foco é apoiar as necessidades dos empreendedores por meio das fortalezas da empresa. Um exemplo prático desse suporte é a trajetória da Mais Mu, que expandiu sua presença de 6 mil para mais de 40 mil pontos de venda em apenas 18 meses após receber investimento do BTV. A executiva observa ainda que o Brasil não é apenas um destino para investimentos, mas também deve servir como um trampolim para a expansão internacional das startups apoiadas, aproveitando a presença global da BAT em mais de 140 países. A empresa já possui exemplos de startups internacionais utilizando o Brasil como porta de entrada para a América Latina e planeja anunciar novos investimentos em breve. Além disso, o hub também promove uma transformação cultural interna na BAT, incentivando funcionários e líderes a se envolverem ativamente com o ecossistema empreendedor e compartilharem conhecimentos valiosos.
Com informações de Infomoney

