No litoral de São Paulo, uma família encontrou uma solução inovadora para transformar a água do mar em água potável, criando um negócio que atende tanto embarcações quanto consumidores. Localizada em Guarujá, a empresa desenvolve equipamentos de dessalinização, tecnologia que permite a conversão da água salgada em água doce, viabilizando o abastecimento em alto-mar e evitando que barcos precisem retornar às marinas com frequência. A iniciativa teve início com Wilson Valêncio Filho, que, desde sua juventude, está imerso no ambiente marítimo. Com experiência em manutenção eletroeletrônica de embarcações, ele notou a carência de equipamentos de dessalinização disponíveis no Brasil, muitos dos quais eram importados e apresentavam dificuldades de manutenção. Motivado por essa necessidade, Wilson decidiu criar sua própria solução. Com um investimento inicial de R$ 20 mil, ele começou a desenvolver protótipos, um processo que levou cerca de 12 anos de testes e aprimoramentos. O sistema de dessalinização utilizado pela empresa opera através da osmose reversa, um método que separa o sal e outras impurezas da água do mar, resultando em água doce adequada para consumo humano. Os modelos fabricados têm a capacidade de produzir aproximadamente 130 litros de água potável por hora, dependendo da configuração. Com o crescimento do negócio, a filha de Wilson, Bruna Valêncio, se juntou à operação em 2020, contribuindo em diversas áreas, desde o desenvolvimento técnico até o atendimento ao cliente. Atualmente, a empresa é gerida em conjunto pela família, incluindo outra filha que atua na administração. Um dos principais diferenciais da empresa é a produção nacional dos equipamentos e peças de reposição, o que reduz custos e otimiza o tempo de manutenção. Além disso, a empresa possui representantes em várias regiões do litoral brasileiro, incluindo estados como Santa Catarina e Rio de Janeiro. A tecnologia desenvolvida resolve um problema frequente enfrentado por quem vive ou trabalha no mar: a escassez de água doce a bordo. Antes da introdução do dessalinizador, as embarcações eram obrigadas a retornar ao porto para reabastecimento. Com a nova tecnologia, os marinheiros conseguem permanecer mais tempo no mar, utilizando a água gerada pelo equipamento para banho e preparo de alimentos. Com uma operação consolidada e um mercado em expansão, a dessalinização se torna uma solução cada vez mais relevante diante da crescente escassez de água em diversas partes do mundo. Para os fundadores do negócio, o verdadeiro retorno vai além dos números financeiros. Wilson destaca que é gratificante ver a satisfação dos clientes com um produto desenvolvido localmente.
Com informações de G1

