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Esporte impulsiona criatividade de atletas com deficiência visual

Resumo

Kiana Glanton só percebeu o alcance transformador do esporte quando, já adulta e sem enxergar, passou a treinar blind baseball nos Estados Unidos. Aos...

Kiana Glanton só percebeu o alcance transformador do esporte quando, já adulta e sem enxergar, passou a treinar blind baseball nos Estados Unidos. Aos 39 anos, a ex-consultora tornou-se atleta da seleção norte-americana da modalidade e afirma que o campo de jogo abriu espaço para uma nova forma de pensar — mais inventiva e menos limitada.

A ligação entre esporte e criatividade atrai a atenção da academia. Matt Bowers, docente do programa de Gestão Esportiva da Universidade do Texas em Austin, resume: mover o corpo em contextos inéditos “parece destravar um pouco mais do cérebro”. Esse efeito, segundo ele, ainda carece de ampla literatura científica, mas indícios são claros quando se analisam elementos isolados, como coordenação motora, trabalho em equipe e solução de problemas sob restrições.

No blind baseball, restrição é a regra. A bola emite som, as bases apitam e o deslocamento só é seguro com códigos de palmas e cantos entre colegas, relata Glanton. Para a S&N, esse cenário evidencia como limites físicos podem virar gatilho de inovação pessoal e, por extensão, profissional — insight relevante para executivos que buscam inspiração fora do escritório. Veja mais discussões na seção de Tendências.

Esporte e criatividade: quando o limite vira oportunidade

Diagnosticada com uma doença autoimune que lhe tirou a visão, Glanton trabalhava em tempo integral no Lighthouse Guild, organização sem fins lucrativos que apoia pessoas cegas ou com baixa visão, antes de se arriscar no diamante. A rápida evolução — de iniciante a atleta internacional — foi, para ela, a prova concreta de que “há esperança e possibilidade. Depois disso, tudo se torna possível”.

“Este esporte não foi feito para nós”, relata Glanton. “Por isso, cada jogada exige a pergunta: como vou navegar por aqui?”

O raciocínio de contornar obstáculos migrou para situações cotidianas, como vestir-se ou maquiar-se sem espelho. Em campo, o desafio deixou de ser a cegueira e passou a ser a tática: “Você quer fazer a jogada, quer vencer. Depois de um tempo, para de pensar na deficiência e foca na competição”.

A ciência por trás da variação de estímulos

Bowers publicou em 2014, no portal The Conversation, um estudo sobre criatividade em esportes infantis. Conclusão: crianças mais criativas alternavam treinos formais com brincadeiras livres. O insight vale para adultos, afirma ele. “Quanto mais você diversifica a experiência esportiva, maior a habilidade cognitiva de navegar na ambiguidade.”

Glanton comprova na prática. Além do baseball, ela experimentou caiaque nas últimas semanas e participou de três concursos de beleza — venceu um. O Lighthouse Guild hoje oferece opções como ciclismo em tandem, goalball, tênis adaptado e golfe para cegos. A atleta garante que cada modalidade reforça a ideia de que os limites são, em grande parte, construções mentais.

Reflexos no mercado e na vida corporativa

Na leitura do Editorial S&N, o caso de Glanton sugere que programas de bem-estar corporativo podem ir além do tradicional incentivo à corrida ou à academia. Ao oferecer vivências esportivas diversas — especialmente as que exigem cooperação intensa e adaptação rápida — as empresas tendem a estimular competências cruciais para inovação, como flexibilidade cognitiva e tolerância ao erro.

Para quem pretende testar a teoria, Bowers dá um conselho simples: “Não sinta que precisa virar maratonista”. O importante, diz ele, é a variação de estímulos. Um fim de semana de escalada indoor, uma partida ocasional de futebol de salão ou um treino de yoga já forçam o cérebro a criar novos mapas motores e, consequentemente, novas conexões de ideias.

Glanton reforça o convite: “Há pessoas por aí querendo tentar algo diferente. Existe muita beleza na vastidão do que é possível”. A história dela lembra que criatividade não se limita à prancheta de design ou à sala de reuniões — pode começar com o som de uma bola zunindo no ar.

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