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Brasil mira protagonismo em inovação em saúde a partir de 05/10/1988

Resumo

Biogen levou ao palco, em São Paulo, um recorte decisivo: desde 05/10/1988, data que marcou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil...

Biogen levou ao palco, em São Paulo, um recorte decisivo: desde 05/10/1988, data que marcou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil reuniu os insumos para ser polo global de inovação em saúde, mas ainda não acelerou o passo entre descoberta científica e acesso do paciente.

O debate “Brazil Health Agenda” uniu o CEO global da farmacêutica, Chris Viehbacher, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Helaine Capucho (Interfarma) e Tony Daher (Febrararas e Casa Hunter). Ao longo de 90 minutos, o grupo mapeou entraves e oportunidades que explicam por que terapias disruptivas demoram décadas para chegar ao leito hospitalar.

Segundo Viehbacher, qualquer país que deseje atrair pesquisa clínica precisa combinar regulação robusta, universidades atuantes e compromisso ético de disponibilizar localmente as tecnologias testadas. A Anvisa foi citada como referência; a falta está em garantir que o caminho percorrido pelo medicamento não emperre na última milha do SUS. Esse ponto ecoa discussões da categoria Negócios & Inovação, onde a adoção ágil de soluções se traduz em vantagem competitiva nacional.

Capital científico não falta

Mandetta contextualizou: o SUS nasceu em 05/10/1988, desmontando o antigo modelo de assistência restrita a contribuintes. Em apenas 35 anos, o país instalou UTIs neonatais, ampliou vacinação e agora enfrenta o “século da genética”. Entre as credenciais citadas estão a maior diversidade genômica do planeta, o banco público Genomics Brasil com 150 mil genomas e o primeiro laboratório BSL-4 do Hemisfério Sul, em Campinas.

Para a S&N, esse conjunto coloca o Brasil em posição singular: poucas nações somam escala populacional, biodiversidade genética e demanda reprimida de tratamento – ativo valioso para multinacionais que bancam ensaios bilionários, como o estudo de Alzheimer da Biogen, estimado em US$ 1 bilhão apenas na fase 3.

A pressa de quem não tem tempo

No universo das doenças raras, a demora custa vidas. Daher lembrou que 30% dos pacientes genéticos morrem antes dos cinco anos e que 95% das 9 mil condições catalogadas não contam com terapia aprovada. Pesquisa clínica se torna “ponte de vida”: no Brasil, onde os pacientes estão concentrados em poucos centros de excelência, é possível recrutar voluntários em metade do tempo e a menos da metade do custo de Estados Unidos ou Europa.

Viehbacher confirmou ter alocado R$ 165 milhões anuais em P&D localmente, apontando que a população de 220 milhões de brasileiros oferece escala para absorver estudos de fase 1 a 3 — desde que a burocracia seja reduzida.

O gargalo orçamentário

Se a ciência avança, a incorporação de novas tecnologias patina. Levantamento da Interfarma mostra que o intervalo entre decisão da Conitec e entrega do medicamento ao paciente deveria ser de seis meses, mas leva 30. A causa, segundo Capucho, é a ausência de rubrica específica para inovação: todo novo fármaco disputa a mesma verba destinada a hipertensão, diabetes e demais programas.

“A questão não é falta de dinheiro, é falta de eficiência”,

resumiu Daher, citando projeto-piloto da Casa dos Raros que reduziu o tempo de diagnóstico de cinco anos para 82 dias ao custo de R$ 3 mil por paciente.

Regras, transparência e confiança

O painel encerrou com a questão: criar novas normas ou cumprir as atuais? Capucho prefere aprimorar mecanismos existentes, como acordos de acesso gerenciado. Daher sugere agência independente para acelerar decisões. Mandetta aposta primeiro na execução da legislação vigente e alerta para risco de confidencialidade excessiva em preços pagos pelo SUS. Viehbacher, por fim, frisou: educação e saúde são os dois investimentos de maior retorno para qualquer nação.

Na leitura do Editorial S&N, a resposta não está em escolher entre mais leis ou menos leis, mas em medir o tempo como métrica-chave de desempenho. Cada mês ganho entre pesquisa e dispensação representa valor econômico — 1 Real investido devolve R$ 1,23 ao PIB, segundo dados citados no debate — e, sobretudo, vidas salvas.

Com talento científico, diversidade genética e demanda de mercado, o Brasil já conquistou o direito de jogar na liga principal da inovação em saúde. O próximo passo é colocar o relógio para andar a favor do paciente.

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