A Pitz, uma startup originária do México, iniciou suas operações no Brasil com o objetivo de digitalizar oficinas mecânicas por meio da inteligência artificial. A empresa foi fundada por Natália Salcedo, que anteriormente atuou como executiva na Rappi. A Pitz visa se estabelecer como um “sistema operacional” para o setor automotivo, integrando diagnóstico, gestão, marketplace de peças e logística em uma única plataforma. As atividades da startup no Brasil começaram oficialmente em outubro do ano passado, inicialmente focadas na região metropolitana de São Paulo, abrangendo cidades como São Paulo, ABC, Guarulhos, Osasco e Jundiaí. No país, a equipe conta com 13 colaboradores, enquanto a equipe mexicana é composta por cerca de 20 pessoas. A expansão para o Brasil faz parte da estratégia de crescimento da Pitz, que considera o mercado brasileiro um dos mais importantes e desafiadores da América Latina. Segundo Natália, a complexidade geográfica e cultural do Brasil é um fator significativo. “Se conseguirmos fazer esse produto funcionar aqui, conseguimos fazer funcionar em qualquer lugar do mundo”, afirmou em entrevista. A iniciativa foi impulsionada por uma rodada de investimentos de US$ 2,1 milhões realizada há aproximadamente sete meses. O aporte contou com a participação de fundos globais como Hustle Fund, Marathon Ventures, 500 Startups e Cracks Fund, além de investidores-anjo ligados ao automobilismo, incluindo figuras da Fórmula 1. Natália mencionou que novas rodadas de investimento estão sendo planejadas, embora detalhes sobre valores e investidores ainda não tenham sido divulgados. Ela indicou que novidades podem ser reveladas em breve. A proposta da Pitz é centralizar operações que costumam estar dispersas em diferentes sistemas. A startup combina diversas funcionalidades em uma única plataforma, incluindo software de gestão, marketplace de peças e soluções logísticas. Natália ressaltou que o setor automotivo enfrenta desafios tanto em relação à digitalização quanto à fragmentação das ferramentas utilizadas pelas oficinas. A Pitz atende tanto oficinas independentes quanto grandes redes automotivas e revendedores. Atualmente, mais de 1.400 oficinas estão cadastradas na plataforma, que disponibiliza um catálogo com mais de 1 milhão de itens automotivos. A meta da empresa é conectar mais de 8 mil oficinas à plataforma até 2026 e expandir seu marketplace. A inteligência artificial desempenha um papel crucial na estratégia da startup, com o intuito de acelerar diagnósticos e reduzir erros nos reparos. A plataforma utiliza um assistente virtual chamado João, projetado para interagir com os mecânicos durante a análise dos veículos, facilitando diagnósticos mais rápidos e precisos. Além de serviços de diagnóstico, a Pitz também oferece busca e entrega de peças automotivas. No México, a empresa possui logística própria após a aquisição de uma empresa local; no Brasil, as entregas são realizadas por parceiros, com a promessa de entrega em até 90 minutos dependendo da região. Natália, que tem experiência em operações internacionais na Rappi e na Jokr, enfatizou a importância de adaptar os modelos de negócios às particularidades culturais de cada país. A Pitz conta com equipes locais em cada mercado onde atua e todos os profissionais brasileiros são recrutados localmente. Com a presença consolidada nos principais mercados da América Latina, a startup já planeja sua próxima etapa: a entrada no mercado norte-americano. Por fim, Natália destacou a importância de enfrentar as barreiras estruturais que dificultam o acesso das mulheres ao capital de risco na América Latina. A fundadora também se inspirou na Fórmula 1 para desenvolver tecnologias que auxiliem mecânicos a diagnosticar problemas em veículos.
Com informações de Infomoney

