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Refik Anadol ilumina Castelo do Smithsonian com IA em 17/07/2026

Resumo

Refik Anadol volta a colocar a inteligência artificial sob os holofotes ao transformar, nos dias 17 e 18 de julho de 2026, o lendário Castelo do...

Refik Anadol volta a colocar a inteligência artificial sob os holofotes ao transformar, nos dias 17 e 18 de julho de 2026, o lendário Castelo do Smithsonian, em Washington, em uma gigantesca tela de 145 pés de altura. Batizada de “Smithsonian Dreams”, a instalação gratuita funde quase 200 anos de acervo digital do museu com gráficos gerados por IA, projetados diretamente sobre a fachada em arenito vermelho.

Segundo o Smithsonian Institution, o espetáculo ­— de 20 minutos e com repetições ao longo das noites — faz parte das comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos, que já ocupam o National Mall com a Great American State Fair e a fan zone oficial da Copa do Mundo. A iniciativa reforça a aposta do museu em tecnologias emergentes, pauta frequente na nossa editoria de inteligência artificial.

Imersão visual alimentada por IA

O ponto de partida de Anadol foi uma pergunta provocada pela vice-secretária para projetos especiais do Smithsonian, Lisa Sasaki: “Se o castelo pudesse sonhar, com o que sonharia?”. Para respondê-la, o artista acessou:

  • Mais de 2 milhões de volumes da biblioteca;
  • 156 mil pés cúbicos de arquivos — o equivalente a dois Boeing 737-800;
  • Cerca de 157 milhões de objetos e espécimes digitalizados.

Todos esses elementos foram tratados como dados. Com um sistema próprio, o criador construiu um modelo de UMAP (uniform manifold approximation and projection) que mapeia relações entre fotos, obras de arte, manuscritos, registros científicos e peças físicas. “Para mim, dados são uma forma de memória”, afirmou Anadol em comunicado oficial. “Usando a inteligência de máquina como colaboradora criativa, transformamos o arquivo num organismo vivo em que história, cultura, ciência e imaginação se desdobram continuamente.”

O roteiro projetado se abre com James Smithson, cientista britânico do século XIX cujo legado originou a coleção do museu. A partir daí, capítulos temáticos costuram pinturas, fósseis, máquinas aéreas e itens de etnobotânica, guiando o público por conexões que só a IA consegue revelar em segundos.

Engenharia para vestir a história

Nenhum telão branco: a superfície trabalhada é um exemplo de arquitetura neogótica de 1855, repleta de torres, nichos e gárgulas de pedra escura. Para vencer esse desafio, a equipe ­— que incluiu engenheiros da Panasonic — posicionou 42 projetores com diferentes lentes ao longo do National Mall. Um deles foi instalado no topo do National Museum of Natural History, a mais de 700 pés do castelo. Foram três noites de ajuste fino até que cada recorte arquitetônico recebesse luz na intensidade exata.

Sasaki lembra que a cor avermelhada do arenito absorve brilho. “Sabíamos desde o início que seria complicado. Não é uma caixa lisa: há cantos e torres que também precisavam ser cobertos”, contou. O resultado combina projeção mapeada em 8K, trilha sonora sincronizada e pausas coreografadas que permitem ao público mudar de perspectiva sem perder narrativa.

Para a S&N, esse movimento indica duas tendências importantes: museus assumindo protagonismo em experiências imersivas ao ar livre e a consolidação da IA generativa como ferramenta artística para grandes audiências. Ao levar a criação para fora das paredes expositivas e dialogar com celebrações nacionais, o Smithsonian reforça o museu como espaço cívico — e não apenas como guardião de relíquias.

O projeto consumiu 18 meses de planejamento e ilustra como parcerias entre instituições culturais e empresas de tecnologia podem acelerar a adoção de métodos que, há poucos anos, pareciam restritos a estúdios de cinema ou games. A expectativa de Sasaki é que a plateia saia do gramado “curiosa e inspirada” para explorar tanto o acervo físico quanto as histórias digitais escondidas atrás de cada pixel.

Quem estiver em Washington terá somente duas oportunidades para conferir “Smithsonian Dreams”. A apresentação começa ao anoitecer do dia 17 de julho, repete-se em sessões sequenciais e retorna no mesmo horário em 18 de julho. Após isso, o castelo volta ao seu estado original — mas, na visão de Anadol, a memória coletiva do museu terá ganhado uma nova camada de luz, som e código.

Editorial S&N

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