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Mais salada, mais cara: preços de frutas e verduras disparam nos EUA

Resumo

Tomates, alfaces e pimentões lideram a alta nos preços de frutas e verduras nos Estados Unidos, segundo dados do Bureau of Labor Statistics que mostram...

Tomates, alfaces e pimentões lideram a alta nos preços de frutas e verduras nos Estados Unidos, segundo dados do Bureau of Labor Statistics que mostram saltos de até 32% entre junho de 2025 e junho de 2026.

A variação atinge praticamente todo o setor: o tomate encareceu cerca de 20% no período, as hortaliças frescas 10% em média, maçãs 7% e cítricos 6%. Na leitura do Editorial S&N, o movimento reforça a pressão inflacionária sobre a dieta saudável — um efeito que tende a ecoar em outras economias dependentes de importações e clima favorável.

Para quem acompanha o tema em Economia & Finanças, não se trata de um choque passageiro. A combinação de clima adverso, custos trabalhistas, energia mais cara e tarifas comerciais aprofunda gargalos ao longo de toda a cadeia de suprimentos.

O que pressiona os preços de frutas e verduras

O primeiro gatilho veio do clima. Geadas atípicas na Flórida, no início de 2026, reduziram a oferta de cítricos, morangos, mirtilos, tomates e milho-doce, gerando perdas estimadas em US$ 3 bilhões pelo Departamento de Agricultura estadual. Com menos produto nos campos, o caixa do consumidor sente o baque.

Importações, essenciais no inverno e na primavera, também ficaram mais caras. Em junho de 2025, o Departamento de Comércio dos EUA rompeu o Acordo de Suspensão de Tomates com o México e impôs tarifa antidumping de 17% sobre o produto mexicano — responsável por três quartos do abastecimento interno. Resultado: produção no país vizinho caiu 9% e as compras externas despencaram 13%, agravando o desbalanceamento entre oferta e demanda.

Custos escalonam da lavoura à gôndola

A agricultura de frutas e hortaliças depende de mão de obra intensiva. Escassez de trabalhadores tem elevado salários há anos, e produtores relatam dificuldades para repassar o aumento integralmente aos atacadistas. Ainda assim, parte do reajuste chega ao consumidor.

Outro insumo que disparou foi o fertilizante. O conflito no Irã restringiu o fluxo de cargas no Estreito de Ormuz e elevou o preço do insumo em mais de 20% até junho de 2026. O fertilizante nitrogenado, fundamental para diversas culturas, avançou 46% no mesmo intervalo.

O choque geopolítico encarece também o combustível. O preço do diesel subiu 27% em 12 meses, impactando especialmente o frete refrigerado — vital para manter a qualidade de produtos perecíveis. As tarifas de caminhões com refrigeração ficaram 20% mais altas, segundo o Departamento de Agricultura.

A Equação é simples: mais custos para plantar, colher e transportar significam margens comprimidas na origem e tickets maiores no caixa do supermercado. Mesmo que o produtor represente só um terço do preço final, o restante da cadeia não absorve sozinho aumentos tão bruscos.

Como o consumidor pode economizar

Pesquisa realizada em maio de 2026 apontou que um em cada três lares norte-americanos reduziu a compra de produtos frescos. A preferência tem migrado para produtos menos voláteis, como bananas, batatas, feijões, lentilhas e ervilhas secas, cujos preços foram pouco afetados.

Outra saída é recorrer a versões congeladas ou enlatadas. A variação anual ficou em 3% para processados e 2,4% para congelados, bem abaixo do reajuste nos corredores de produtos frescos. Não há perda nutricional significativa, e a vida útil maior diminui o desperdício.

Levantamento da S&N com base nos dados oficiais indica que 20% dos shoppers já praticam essa substituição — tendência que deve ganhar força enquanto a inflação de hortifrúti persistir.

Para a S&N, esse movimento indica não apenas uma busca por economia, mas o risco de um retrocesso alimentar: se a volatilidade em produtos frescos durar muito, políticas públicas e varejo terão de incentivar alternativas acessíveis para manter dietas balanceadas.

Especialistas ouvidos na fonte original alertam que os fatores de custo — do clima extremo às barreiras comerciais — dificilmente se dissipam no curto prazo. Assim, o alívio nos preços de frutas e verduras pode demorar mais do que o bolso gostaria, reforçando a necessidade de escolhas inteligentes na hora das compras.

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