Donald Trump voltou a pôr tarifas na mesa. Em declaração feita nesta sexta-feira, 17, o ex-presidente dos Estados Unidos ameaçou impor encargos adicionais sobre produtos canadenses para “cobrar” os prejuízos que a fumaça dos incêndios florestais no Canadá vem causando a cidades americanas.
O aviso surge em meio a um coro de congressistas republicanos que atribuem os episódios de ar rarefeito ao que chamam de “má gestão florestal” por parte do governo canadense. Segundo eles, a administração vizinha falhou em conter as chamas que agora avançam sobre a fronteira em forma de névoa tóxica — ponto que Trump transformou em argumento comercial.
Para além do embate ambiental, o recado traz de volta a estratégia tarifária que marcou a política econômica trumpista entre 2017 e 2021. Em linhas gerais, tarifas são tributos cobrados sobre importações; quando maiores, tornam os produtos do país alvo mais caros no mercado americano. Ao ameaçar reajustá-las, Trump sinaliza que pretende transferir ao Canadá parte dos custos econômicos gerados pela fumaça que encobre o céu de metrópoles dos EUA.
Ao adotar esse tom, o ex-presidente também coloca a questão climática na arena do comércio exterior. Esse movimento chama atenção de analistas que acompanham a relação bilateral, foco constante de reportagens da seção de Economia & Finanças da S&N.
Republicanos miram a gestão florestal canadense
O respaldo político a Trump vem de colegas de partido no Congresso. Eles acusam Ottawa de falhar em práticas preventivas de manejo, responsabilidade que, dizem, redundou na atual temporada de queimadas. O grupo alega que o impacto sobre a saúde pública norte-americana — qualidade do ar “insalubre” em várias cidades — justifica medidas de retaliação econômica.
“Se o Canadá não cuida de suas florestas, nós não devemos arcar com a conta dessa fumaça”, resumiu Trump, segundo a nota publicada nesta sexta-feira.
![]()
Leitura editorial S&N
Para a S&N, esse movimento indica que eventos climáticos extremos tendem a entrar, cada vez mais, na pauta das disputas comerciais. A fala de Trump conecta meio ambiente e política tarifária como se fossem vasos comunicantes: danos ambientais além-fronteira podem virar pretexto para sobretaxas, criando um precedente que outros líderes poderão explorar em futuras crises de origem climática.
Até o momento, não há resposta oficial do governo canadense às ameaças. Caso as tarifas avancem, o eixo comercial de quase US$ 2 bilhões diários entre os dois países — maior parceria bilateral do mundo ocidental — pode enfrentar novo atrito, agora calcado em partículas de fumaça que cruzam o céu da América do Norte.
O desdobramento prático ainda é incerto, mas o tom adotado nesta sexta-feira deixa claro que disputas ambientais podem migrar rapidamente para a balança de pagamentos. Empresários, gestores de supply chain e investidores ficam em compasso de espera para saber se o ar poluído será mesmo convertido em nova camada de tarifas na fronteira EUA-Canadá.


Comentários
Participe com respeito. Comentários passam por proteção anti-spam simples.