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Eduardo Girão reforça ala bolsonarista e reprova apoio a Ciro Gomes no Ceará

Resumo

Eduardo Girão, senador do Novo e pré-candidato ao governo do Ceará, usou o palco do Encontro Nacional do Partido Novo, em São Paulo, neste sábado...

Eduardo Girão, senador do Novo e pré-candidato ao governo do Ceará, usou o palco do Encontro Nacional do Partido Novo, em São Paulo, neste sábado (18), para reiterar críticas à ala da direita que negocia apoio ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). No discurso, classificou o presidenciável cearense como “esquerda raiz” e alertou para o risco de “sermos picados por essa cobra em 2030”.

A fala ocorre em meio ao racha no campo bolsonarista local, liderado pelo deputado André Fernandes (PL-CE). O parlamentar anunciou em maio que vai compor com Ciro para derrotar a gestão petista no estado. Para Girão, a costura é “incoerente” com a trajetória de oposição ao PT na Câmara Federal, onde Novo e PL costumam votar juntos. O senador pediu “apoio e orações” para consolidar “forte resistência” no Ceará.

O impasse transbordou para a família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro, presente no lançamento da pré-candidatura de Girão em 2023, rompeu publicamente com a articulação. Em vídeo divulgado em junho, relatou ter sido “maltratada” por Flávio Bolsonaro após se posicionar contra o acordo. Segundo ela, o enteado disse que ela “chegou ontem e não entende de política”. Para a ex-primeira-dama, a aliança ignora ofensas de Ciro, que já chamou Jair Bolsonaro de “quase doente” e “burro”.

Na avaliação editorial da S&N, o episódio revela uma tensão inédita entre a ala ideológica e a ala pragmática do bolsonarismo: enquanto Fernandes vê “toda ajuda como bem-vinda”, Michelle personifica o voto fiel que não aceita concessões ao adversário histórico. A divisão, se não for contida, pode reduzir a força eleitoral do grupo em um estado considerado estratégico.

Entre o Novo e o PL

Girão lembra que, no Congresso, Novo e PL “fazem o trabalho juntos” contra o governo federal. Em entrevista ao Diário do Nordeste, em 18 de junho, declarou que “a verdadeira direita não pode estar nessa aliança” e que o PL “deveria estar do nosso lado”.

“Todo mundo sabe no Ceará que o Ciro Gomes tem projeto de Brasil. Por isso a eleição do Ceará é muito importante”, disse Girão no encontro do Novo.

Fernandes, por sua vez, sustenta que recebeu aval pessoal de Jair Bolsonaro para dialogar com Ciro. O deputado admite ter trocado críticas públicas com o tucano, mas argumenta que “diferenças sempre existirão” e que o objetivo é derrotar o PT. O discurso foi reforçado pelos irmãos Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, onde pediram “unidade em torno da liderança do meu pai”.

Com a disputa exposta, a base bolsonarista se vê diante de duas narrativas: a “pureza ideológica” defendida por Girão e Michelle, e o pragmatismo eleitoral do grupo de Fernandes. Para leitores de Perspectiva S&N, o resultado dessa queda de braço tende a balizar alianças semelhantes em outros estados antes de 2026.

Risco de fratura

A escalada de acusações ganhou novo capítulo quando Michelle relatou que Flávio a considerou “autoritária” ainda em dezembro, primeira crítica pública dentro da família. Em resposta, Carlos Bolsonaro lembrou que a costura cearense ocorreu “com aval do ex-presidente” e defendeu respeito à hierarquia política.

Especialistas em marketing eleitoral costumam apontar o Ceará como laboratório de ensaios nacionais. Na leitura do Editorial S&N, se Girão consolidar apoio de bases fiéis ao bolsonarismo, o Novo pode assumir protagonismo regional antes restrito ao PL. Por outro lado, caso a aliança PL-Ciro se mantenha e resulte em vitória, cresce o argumento pragmático de que “vale tudo” para isolar o PT.

Até aqui, Girão conta com a visibilidade de Michelle e com o discurso “100% oposição” ao governo Lula. Sem cargos federais no currículo de Dilma ou Lula, como fez questão de lembrar, o senador busca personificar o antípoda de Ciro – ministro de Itamar, FHC, Lula e Dilma. A narrativa confere ao pré-candidato aparência de novidade, mesmo após um mandato no Senado.

O tabuleiro cearense permanece aberto. PL e Novo ainda podem reavaliar posições conforme alianças municipais avancem. À S&N, o que se desenha é um teste de fidelidade ideológica que extrapola fronteiras estaduais e antecipa discussões da sucessão presidencial de 2026.

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