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Uso do MEI avança entre brasileiros de alta renda — 18/07/2026

Resumo

Microempreendedores Individuais (MEI) concentram-se hoje nas faixas de maior renda do país, segundo perfil divulgado em 18/07/2026 pela Folha com base em...

Microempreendedores Individuais (MEI) concentram-se hoje nas faixas de maior renda do país, segundo perfil divulgado em 18/07/2026 pela Folha com base em levantamentos de órgãos públicos e de consultorias privadas.

Embora o regime tenha sido criado para formalizar trabalhadores de baixa renda, a participação relativa dos estratos mais ricos supera a observada na população pobre. A mesma compilação indica que o rendimento médio dos microempreendedores é maior do que o de funcionários com carteira assinada e também superior ao de outros autônomos.

Para quem acompanha o ambiente de empreendedorismo no Brasil, o resultado reforça um movimento detectado em diferentes pesquisas: perfis com maior poder aquisitivo têm conseguido transformar o CNPJ simplificado em estrutura para negócios escaláveis, prestando serviços a empresas ou atuando em nichos de maior valor agregado.

Na reportagem da Folha, o jornal lembra ainda que, segundo estimativa do governo federal, uma eventual elevação do teto de faturamento do MEI poderia custar R$ 81 bilhões aos cofres públicos até 2029. O cálculo foi apresentado em estudo oficial entregue ao Congresso Nacional.

Ganhos acima do mercado formal

O levantamento citado aponta que a renda média do MEI fica acima do contracheque de empregados formais. Esse diferencial sinaliza que o CNPJ simplificado deixou de ser apenas porta de entrada para quem busca regularizar pequenos serviços e passou a funcionar como alternativa tributária para profissionais qualificados.

Na leitura do Editorial S&N, esse movimento indica uma inversão de expectativas: o regime pensado para reduzir vulnerabilidade na base da pirâmide está sendo apropriado por segmentos que já detêm capital humano e redes de relacionamento. A consequência, do ponto de vista competitivo, é a ampliação da disparidade entre microempreendedores que conseguem acessar clientes com maior ticket médio e aqueles restritos ao consumo local.

Desafios para a política pública

O dado alarma formuladores de políticas de inclusão produtiva. Caso a expansão entre os mais ricos continue, a pressão por benefícios adicionais — como a ampliação do limite de faturamento — tende a crescer, elevando o impacto fiscal mencionado pelo Executivo.

Especialistas consultados pela Folha avaliam que eventual mudança na legislação precisa equilibrar estímulo à formalização e sustentabilidade das contas públicas. Para a S&N, o debate também passa por repensar qualificação, acesso a crédito e inserção em cadeias de valor para quem permanece na base de renda, evitando que o MEI se torne, na prática, ferramenta restrita aos que já estavam em posição mais favorável.

Com mais de uma década de existência, o regime simplificado criou mais de 15 milhões de CNPJs e se consolidou como a porta principal de entrada no universo formal. Entretanto, a fotografia atual sugere que o alcance social do MEI pode estar se estreitando, tema que deve orientar as discussões regulatórias ao longo de 2026.

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