Steve Kamb, fundador da plataforma Nerd Fitness, reúne em “How to Try Again: An Approachable Guide to Navigating Chaos and Making Change That Sticks” a principal tese que norteia seu trabalho desde 2009: fracassar faz parte de qualquer projeto relevante, e só avança quem aprende a levantar rápido.
O livro, que traz ensaios baseados em pesquisas e na experiência de Kamb apoiando profissionais ocupados a “upar de nível” na vida real, resume-se em cinco ideias-chave. A seguir, S&N destaca cada uma delas e por que interessam a líderes e equipes em busca de performance sustentável. O artigo não contém links externos; para mais conteúdos de gestão, visite nosso hub de Liderança & Gestão.
1. Fracassar é só um dos possíveis desfechos
Kamb relembra a visita que fez em 2023 ao Museum of Failure, mostra itinerante que exibe produtos célebres por tombos retumbantes: do videogame Virtual Boy, da Nintendo, ao Zune da Microsoft — sem poupar o Pippin da Apple. A coleção vai além do deboche; revela que até empresas admiradas tropeçam quando ousam.
“Falhar não é um mal necessário. É consequência natural de tentar algo novo”, cita o autor, recorrendo a Ed Catmull, cofundador da Pixar.
Para Kamb, portanto, a pergunta certa não é “como evitar fracassar?”, mas “como me recuperar depressa quando acontecer?”.
2. Ninguém volta ao ponto zero
Fracassou ao tentar criar rotina de exercícios? Provavelmente você já escolheu academia, aprendeu a usar máquinas e venceu a vergonha de treinar em público. Isso não some com a recaída: permanece como bagagem. Segundo o escritor, cada tentativa acumula saberes que encurtam o caminho na rodada seguinte.
Na leitura do Editorial S&N, essa perspectiva muda a conversa sobre produtividade em times: erros documentados viram ativo estratégico, não passivo que se esconde numa gaveta.
3. Manter-se na superfície também é progresso
O oposto de avançar não é estagnar, e sim regredir, adverte Kamb. Há momentos em que insistir em “tentar mais forte” drena recursos escassos — tempo, energia, motivação — e empurra o projeto para trás. Nessas horas, “flutuar” é uma tática legítima: fazer o mínimo para não afundar.
“Permitir-se fazer menos é mais que aceitável. Pode ser vital”, reforça o autor.
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A lógica vale tanto para metas individuais quanto para OKRs corporativos: reconhecer períodos de baixa capacidade evita custo de retrabalho e protege a saúde mental.
4. Aceitar a realidade é pré-requisito para avançar
Planejar é importante, mas esperar que o roteiro siga à risca gera frustração constante. Kamb confessa ter sido um perfeccionista crônico até entender que aceitação não é comodismo — é encarar o cenário como ele é, roupa suja incluída, e agir a partir daí. O autor sugere o pensamento “sim, e”: “Sim, a vida está caótica, e eis onde focarei hoje”.
Para a S&N, esse movimento indica maturidade gerencial: líderes que abraçam incertezas tendem a responder mais rápido a choques externos.
5. Antes de espremer, pergunte se você gosta de suco
A expressão “Is the juice worth the squeeze?” (“o suco compensa o esforço?”) ganha complemento no livro: “garanta que você goste de suco”. Há conquistas que parecem desejáveis — escalar o El Capitan, fundar uma startup unicórnio ou virar atleta de Ironman — mas exigem renúncias que nem todo mundo quer bancar. Comparar-se ao Instagram alheio ignora o custo invisível que cada pessoa paga.
Kamb recorda a franqueza do documentarista Ken Burns, que atribuiu sua vasta obra a sacrifícios pessoais narrados com humor: “Pergunte às minhas duas ex-esposas sobre equilíbrio”. A lição é simples: se não estamos dispostos ao preço, está tudo bem recuar.
Ao condensar as cinco ideias, “How to Try Again” propõe um manual prático de antifragilidade diária: assumir o risco de errar, incorporar aprendizados, nadar em ritmo seguro, aceitar imprevistos e alinhar objetivos ao que realmente importa a cada um. Líderes que internalizam esses pontos ganham duas vantagens competitivas — resiliência e clareza de prioridades — em um mercado que premia adaptação constante.
ASSINATURA: Editorial S&N


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