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Acusado de esfaquear Salman Rushdie encara julgamento de terrorismo nos EUA

Resumo

Hadi Matar, o homem condenado a 25 anos de prisão por esfaquear o escritor Salman Rushdie durante um evento em 2022, enfrenta nesta quarta-feira...

Hadi Matar, o homem condenado a 25 anos de prisão por esfaquear o escritor Salman Rushdie durante um evento em 2022, enfrenta nesta quarta-feira (22/07/2026) um novo júri federal em Buffalo, no estado de Nova York, desta vez sob acusações de terrorismo que podem resultar em prisão perpétua. A informação é do jornal britânico The Guardian.

Segundo o diário, Matar nega as novas imputações, embora já tenha sido considerado culpado de tentativa de homicídio em tribunal estadual no ano passado. O processo ocorre a cerca de 110 quilômetros de Chautauqua, local onde Rushdie foi atingido por mais de uma dezena de golpes de faca enquanto se preparava para falar sobre escritores em exílio político.

Casos como esse, de julgamentos de alto perfil que migram da esfera estadual para a federal, ilustram como o sistema judiciário norte-americano emprega diferentes instâncias quando a promotoria identifica elementos ligados à segurança nacional.

O que está em jogo no novo processo

A promotoria federal sustenta que o ataque a Rushdie possui motivações terroristas, o que eleva a gravidade das acusações. Caso seja condenado novamente, Matar poderá receber pena de prisão perpétua, superando a sentença de 25 anos já em vigor por tentativa de homicídio.

O réu, de 26 anos, cumpre pena desde 2025 em Nova York. No tribunal estadual, ele foi considerado responsável não apenas pelo ferimento de Rushdie, mas também por colocar em risco centenas de pessoas que assistiam à palestra. Agora, o júri federal deverá deliberar se o ato também configurou terrorismo doméstico, tipificação prevista na legislação dos EUA para crimes motivados por ideologia ou intenção de intimidar a população.

Salman Rushdie e as sequelas do atentado

O autor anglo-indiano, então com 75 anos, perdeu a visão de um olho e segue em recuperação física desde o ataque. Ainda de acordo com o The Guardian, Rushdie vem relatando sintomas compatíveis com estresse pós-traumático, mas mantém participações públicas pontuais e prepara novos lançamentos literários.

“Ele foi esfaqueado mais de uma dúzia de vezes”, lembrou o veículo britânico na cobertura do julgamento.

Leitura S&N: reflexos para a liberdade de expressão

Para o Editorial S&N, o desfecho do caso pode estabelecer um precedente importante sobre a proteção de conferencistas, artistas e intelectuais em eventos públicos. Embora o fato tenha acontecido nos Estados Unidos, ele ecoa em qualquer mercado que dependa de circuitos culturais presenciais — inclusive o brasileiro, onde feiras literárias e festivais de ideias ganham força.

Na prática, a classificação de um ataque contra um escritor como terrorismo doméstico amplia a responsabilização legal e pressiona organizadores a reforçar protocolos de segurança. Acompanharemos o desenvolvimento do julgamento, que deve durar várias semanas, para entender como a decisão do júri poderá impactar futuras iniciativas de promoção cultural dentro e fora dos EUA.

À medida que o tribunal de Buffalo avança, o caso continua a lançar luz sobre os desafios de equilibrar liberdade de expressão, segurança pública e legislação antiterrorismo — elementos que ultrapassam fronteiras e despertam atenção também no Brasil criativo e plural.

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