LinkedIn acaba de publicar a segunda edição do relatório “Cities on the Rise”, que identifica as 25 regiões metropolitanas dos Estados Unidos onde novos empregos e profissionais devem se concentrar até 2026. Segundo reportagem da Fast Company, Augusta (Geórgia) assumiu a liderança, desbancando Grand Rapids (Michigan), campeã do levantamento anterior.
A plataforma de carreira controlada pela Microsoft analisou dados internos de contratação, origem e destino de talentos e volume de anúncios de vagas entre 1.º de fevereiro de 2024 e 1.º de fevereiro de 2026. O resultado serve como bússola para quem considera a mobilidade geográfica uma estratégia de carreira — tema que também mobiliza leitores da seção Tendências de S&N.
O ranking das 25 cidades em ascensão
Além de Augusta, completam o top 10: Richmond (Virgínia), Reno (Nevada), North Port-Bradenton-Sarasota (Flórida), Harrisburg (Pensilvânia), Charleston (Carolina do Sul), Pensacola (Flórida), Austin (Texas), Portland (Maine) e Tulsa (Oklahoma). A lista segue com Lancaster, Albany, Portland (Oregon), Indianápolis, Charlotte, Myrtle Beach, Appleton-Oshkosh-Neenah (Fox Cities), Fort Wayne, Sacramento, Little Rock, Salt Lake City, Wilmington, Louisville, Milwaukee e Grand Rapids.
Na prática, 60% dos metros citados já figuravam no estudo anterior, mostrando consistência de crescimento. Contudo, 40% aparecem pela primeira vez — inclusive Augusta, que saltou diretamente à ponta. Para a S&N, a alternância sugere que hubs emergentes conseguem ganhar tração rápida quando reúnem incentivos a empresas, infraestrutura de formação e custo de vida competitivo.
Por que Augusta ficou no topo
A explicação começa na especialização da cidade em defesa e tecnologia. Sede do U.S. Army Cyber Command, do Georgia Cyber Center (maior instalação estadual de cibersegurança do país) e de empregadores como Savannah River Nuclear Solutions, Augusta University e o próprio Exército, a região concentra contratações em cibersegurança, energia elétrica e saúde. O LinkedIn aponta ensino superior, hospitais e geração de energia entre os setores que mais buscam mão de obra local.
O atrativo financeiro também pesa. A renda média familiar chega a US$ 55,4 mil, enquanto o preço médio de imóveis anunciados está em US$ 396,1 mil — valores moderados para o padrão norte-americano. Além disso, 26,5% das vagas divulgadas para Augusta oferecem regime remoto e 3,5% são híbridas, combinação que amplia o leque de candidatos dentro e fora do estado.
Mudanças relevantes em relação a 2025
Grand Rapids, líder no ranking inaugural, caiu para a 25.ª posição, ilustrando a rapidez com que fluxos de talento e investimentos podem se deslocar. Cidades antes ausentes — como North Port-Bradenton-Sarasota e Tulsa — agora aparecem entre as dez primeiras, empurradas por migração interna, expansão de startups regionais e, em alguns casos, incentivos fiscais.
Richmond e Harrisburg mantiveram-se na elite, reforçando a tese de que custos de vida abaixo dos grandes centros continuam atraindo profissionais qualificados. Já polos tradicionais de tecnologia, caso de Austin e Portland (Oregon), permanecem no top 15, mas veem concorrentes menores reduzir a distância.
Na leitura do Editorial S&N, o estudo funciona como termômetro de tendências que também afetam o Brasil: descentralização de oportunidades, valorização de ecossistemas especializados — como cibersegurança, saúde digital e energias limpas — e avanço do trabalho remoto como ferramenta de distribuição de talentos para localidades com melhor relação entre custo e qualidade de vida.
Para profissionais brasileiros que acompanham o mercado internacional, o levantamento reforça a importância de observar nichos setoriais além dos grandes eixos Nova York-São Francisco. Certificações em segurança da informação, saúde e energia, por exemplo, podem abrir portas em cidades médias dos EUA que disputam mão de obra qualificada — inclusive em posições à distância.
Empresas brasileiras de tecnologia ou serviços globais também encontram pistas sobre onde estabelecer escritórios ou buscar parceiros. A presença do Georgia Cyber Center em Augusta, por exemplo, indica um ecossistema fértil para soluções de cibersegurança — segmento no qual companhias nacionais buscam se internacionalizar.
Por fim, vale lembrar que listas como “Cities on the Rise” não esgotam todos os fatores de decisão. Custos de mudança, legislação de imigração, adaptação cultural e variações de câmbio precisam entrar no cálculo de qualquer mudança de país. Ainda assim, o relatório do LinkedIn oferece um panorama quantitativo valioso sobre a geografia do trabalho pós-pandemia. Para quem mira 2026 como marco de virada profissional, conhecer onde as vagas crescem mais rápido pode ser o primeiro passo.


Comentários
Participe com respeito. Comentários passam por proteção anti-spam simples.