A transformação de uma startup em uma empresa de grande porte requer que os fundadores estejam em total sintonia em aspectos como captação de recursos, estrutura organizacional e a missão do negócio. Daniela Amodei, cofundadora e presidente da Anthropic, compartilha sua experiência nesse sentido, tendo lançado a empresa de inteligência artificial de sucesso em 2021 ao lado de seu irmão, Dario Amodei, e mais cinco cofundadores. Para aqueles que buscam encontrar parceiros adequados, Amodei recomenda uma abordagem inusitada. Durante uma palestra na Stanford Graduate School of Business, ela sugeriu que empreendedores deveriam viajar juntos antes de decidirem abrir uma empresa. “Em vez de iniciar um negócio imediatamente, façam uma viagem juntos”, afirmou Amodei. Ela aconselhou que os futuros sócios compartilhassem um quarto e refletissem sobre a experiência. Se a sensação for de querer passar mais tempo com o parceiro, isso é um bom sinal. Contudo, se a impressão for de que é necessário um tempo longe um do outro para se recuperar, pode ser um indicativo de que a parceria não é a ideal. Amodei expressou que teve “muita sorte” com sua equipe de cofundadores na Anthropic. Ao considerar potenciais sócios, ela valoriza relações interpessoais sólidas. A conexão com seu irmão, Dario, é profunda, pois eles se conhecem desde sempre, e outros cofundadores fazem parte de seu círculo há cerca de 15 anos. Além disso, muitos já haviam trabalhado sob sua liderança ou a do irmão na OpenAI, o que ajudou a criar uma cultura de feedback aberto entre eles. Outro ponto essencial destacado por Amodei é o alinhamento em relação ao que a empresa pretende construir. Os cofundadores da Anthropic estavam unidos por um objetivo comum, já que todos haviam trabalhado anteriormente na OpenAI e se separaram por divergências sobre a visão da empresa. Ao fundar a Anthropic, eles estavam “na mesma sintonia”, conforme ressaltou. Amodei também alertou sobre a importância de evitar situações em que os sócios tenham visões muito diferentes sobre o negócio. Ela comparou essa falta de alinhamento a um cenário em que um sócio imagina um unicórnio enquanto o outro pensa em um ornitorrinco. A escolha do cofundador é uma questão abordada por outros especialistas também. Paul Graham, cofundador da Y Combinator, enfatiza a importância do caráter nas parcerias, especialmente em momentos difíceis. Ele recomenda que empreendedores considerem mais o caráter do que as habilidades ao escolher sócios. Andy Dunn, ex-CEO da Bonobos, sugere cinco testes que podem ser realizados antes de formalizar uma parceria: um teste de estresse com conversas difíceis, passar tempo juntos para fortalecer laços, definir papéis e responsabilidades, preparar um plano para eventuais crises e garantir que os sócios possuam habilidades complementares. Essas dicas visam assegurar que os empreendedores construam parcerias duradouras e bem-sucedidas.
Com informações de Infomoney

