Diretor da CIA visitou Cuba e se encontrou com neto de Raúl Castro, confirmam autoridades

Diretor da CIA visitou Cuba e se encontrou com neto de Raúl Castro, confirmam autoridades

Visita de alto nível inclui reunião com Raúl Guillermo Rodríguez Castro

O diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou à Cuba e manteve encontro na quinta-feira com autoridades cubanas, entre elas Raúl Guillermo Rodríguez Castro, segundo confirmaram representantes dos governos cubano e dos Estados Unidos.

Durante a visita, Ratcliffe reuniu-se também com o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e com o chefe dos serviços de inteligência de Cuba. Em pauta estiveram cooperação em inteligência, estabilidade econômica e questões de segurança, informou um representante da CIA à Associated Press.

De acordo com a autoridade da agência, Ratcliffe levou pessoalmente a mensagem do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos estão dispostos a dialogar de forma séria sobre temas econômicos e de segurança, desde que Cuba promova mudanças fundamentais.

O governo cubano emitiu nota observando que o encontro ocorreu “num contexto de relações bilaterais complexas”. Enquanto a delegação americana enfatizou que Cuba não pode continuar a servir como refúgio para adversários no Hemisfério Ocidental, os cubanos defenderam que a ilha não representa ameaça à segurança dos EUA e questionaram a manutenção de Cuba na lista norte-americana de países patrocinadores do terrorismo.

Rodríguez Castro já havia se encontrado secretamente com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à margem de uma cúpula da Comunidade do Caribe em St. Kitts, em fevereiro. Embora nunca tenha ocupado cargo público, Rodríguez Castro atuou como segurança pessoal de seu avô e chegou a chefiar o equivalente cubano da Guarda Presidencial.

Autoridades de ambos os países também tiveram encontros em Cuba no início deste ano. As rodadas atuais de conversas coincidem com a retomada de voos do governo dos EUA à ilha — além da base naval de Guantánamo — pela primeira vez desde 2016.

O encontro de quinta-feira ocorre semanas depois de Havana confirmar reuniões recentes com representantes americanos, num momento em que as tensões seguem elevadas por conta do bloqueio energético imposto pelos EUA ao país caribenho. A crise energética contribuiu para o colapso da rede elétrica de Cuba e deixou sem energia as províncias do leste do país, afetando jornadas de trabalho e provocando perdas de alimentos devido à falta de refrigeração.

O Departamento de Estado dos EUA reiterou esta semana que Washington está disposto a fornecer US$ 100 milhões em ajuda humanitária e apoio para internet via satélite a Cuba “se o regime cubano permitir”.

No fim de janeiro, Trump ameaçou aplicar tarifas contra países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba. Apesar de ameaças de intervenção por parte do presidente dos EUA e da declaração do presidente cubano Miguel Díaz-Canel de que Cuba estaria preparada para resistir, fontes disseram à AP no início deste mês que uma ação militar não é iminente.

As negociações bilaterais e os encontros de alto nível entre os dois países prosseguem em meio a esse cenário de tensão e negociações sobre assistência humanitária e segurança.

Com informações de Fortune