O novo sonho americano mora em Celina, Texas

O novo sonho americano mora em Celina, Texas

Celina, no Texas, tornou-se o epicentro de uma nova geografia do desenvolvimento nos Estados Unidos, segundo dados do Censo divulgados em maio de 2026. A cidade — com 64.427 habitantes — registrou crescimento de 24,6% entre julho de 2024 e julho de 2025, a maior taxa entre municípios americanos com mais de 20.000 residentes, repetindo o mesmo feito de 2023.

Quem e o que

Os cinco municípios com maior crescimento percentual no país estão todos no Texas: Celina (+24,6%), Fulshear (+21,0%), Princeton (+18,1%), Melissa (+14,5%) e Anna (+10,2%). Quatro deles ficam na periferia da região metropolitana de Dallas–Fort Worth; Fulshear situa-se nos arredores de Houston. Nenhum ultrapassa 65.000 habitantes.

Quando e onde

Os números apontam para o período entre julho de 2024 e julho de 2025 e foram tornados públicos pelo Census Bureau em maio de 2026. O padrão de crescimento concentra-se em cidades pequenas e médias das franjas metropolitanas, não nos centros urbanos tradicionais como Nova York, Los Angeles ou Boston.

Como e por que

Especialistas citados nos dados relacionam o avanço texano à ausência de barreiras estaduais rígidas ao desenvolvimento: procedimentos de licenciamento mais rápidos, regras de zoneamento menos restritivas e mecanismos como os Municipal Utility Districts (MUDs), que permitem aos incorporadores financiar infraestrutura — estradas, água e esgoto — antecipadamente e recuperar os custos via impostos sobre a propriedade. Esses instrumentos aceleram a construção, embora impliquem riscos, como expansão em áreas sujeitas a enchentes, endividamento para infraestrutura e dependência de transporte individual.

Em contraste, estados como a Califórnia têm processos regulatórios, custos de mão de obra e revisões ambientais que retardam projetos. Estudos citados indicam que o tempo entre emissão de alvará e conclusão de empreendimentos multifamiliares é pelo menos 22 meses mais longo na Califórnia do que no Texas.

Impacto nas grandes cidades e no mercado imobiliário

Enquanto cidades como Nova York perderam população — NYC registrou queda de 12.196 moradores — o crescimento médio entre cidades com 250.000 ou mais habitantes caiu de 0,9% para 0,3% em um ano. No Nordeste, a média passou de 1,2% para 0,2%, afetada tanto pela redução da migração internacional quanto pelo êxodo doméstico para regiões mais quentes e acessíveis.

Algumas áreas periféricas de grandes regiões metropolitanas, entretanto, continuam a crescer: Port Chester, nos arredores de Nova York, avançou 4,1% e figura entre os 200 lugares de maior expansão percentual. Em Charlotte, que somou 20.731 pessoas — o maior incremento absoluto do país no período — a cidade central ficou atrás de subúrbios como Fort Mill, SC (38.673 habitantes), que cresceu 6,8%.

O estoque habitacional nacional subiu em 2025 em 1,4 milhão de unidades (1,0%), alcançando 148,3 milhões de moradias. Estados como Idaho (2,1%), Arizona (2,0%) e Carolina do Sul (1,9%) lideraram a expansão; D.C. e New Jersey registraram apenas 0,2%. Ao mesmo tempo, o chamado “efeito lock‑in” — proprietários presos a hipotecas com juros muito baixos contratadas na pandemia — reduziu a oferta de imóveis usados: em março de 2026 as vendas de residências existentes chegaram a 3,98 milhões em taxa anualizada, o pior março desde 2009, enquanto as vendas totais de 2025 somaram 4,06 milhões, o menor volume anual desde 1995.

Esse bloqueio de inventário direciona compradores para novas construções, e é justamente esse segmento que tem crescido rapidamente no Texas. Austin também alcançou a marca de 1.002.632 habitantes no período, mas, como em outras grandes áreas, o crescimento que mais se destaca ocorre nas cidades ao redor — onde há terreno disponível, moradias mais acessíveis, financiamento de escolas e deslocamentos considerados administráveis.

As áreas metropolitanas de Houston e Dallas–Fort Worth lideraram o aumento populacional do país no último ano, impulsionado principalmente pelas franjas periféricas e não pelos núcleos urbanos centrais.

Jornalistas da Fortune utilizaram inteligência artificial generativa como ferramenta de pesquisa; um editor verificou a precisão das informações antes da publicação.

Com informações de Fortune