Starbucks anuncia corte de 300 vagas corporativas nos EUA para recuperar margens e avançar reestruturação

Starbucks anuncia corte de 300 vagas corporativas nos EUA para recuperar margens e avançar reestruturação

A Starbucks informou que expandirá cortes em sua estrutura corporativa nos Estados Unidos como parte de medidas para recuperar a rentabilidade e acelerar a reestruturação conduzida pelo CEO Brian Niccol.

O grupo comunicou que serão eliminados 300 empregos corporativos nos Estados Unidos e que vários escritórios regionais serão fechados. As ações integram um programa de contenção de custos vinculado à meta de economia de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões).

Contexto e rodadas anteriores

A iniciativa faz parte da estratégia denominada “Back to Starbucks”, implementada por Niccol desde sua chegada ao comando da empresa em setembro de 2024, com o objetivo de recuperar o crescimento e reforçar a marca global. Segundo Jim Cramer, da CNBC, o propósito central desta nova leva de cortes é melhorar as margens da companhia.

No programa “Squawk on the Street”, Cramer declarou: “O que Niccol está tentando fazer é acertar as margens” e acrescentou: “Quando ele acertar as margens, aí poderá voltar a atacar.”

Trata-se da terceira rodada de desligamentos desde a chegada do executivo. Em fevereiro de 2025, a Starbucks anunciou o corte de 1,1 mil empregos e o congelamento de centenas de vagas abertas. Pouco depois, a empresa promoveu mais 900 cortes entre funcionários não ligados ao varejo, dentro de um plano de reestruturação estimado em US$ 1 bilhão (R$ 5,09 bilhões).

Impacto financeiro e cronograma

A companhia informou que a nova fase de reestruturação implicará em cerca de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) em despesas. Deste montante, aproximadamente US$ 280 milhões (R$ 1,4 bilhão) correspondem a desvalorizações de ativos de longo prazo, como prédios e equipamentos, e US$ 120 milhões (R$ 610,8 milhões) referem-se a desembolsos em caixa, incluindo indenizações e custos de desligamento.

Segundo a Starbucks, a maior parte das ações anunciadas deve ser concluída até o final do ano fiscal de 2026.

Declaração da empresa e reação do mercado

Em comunicado à CNBC, a rede afirmou que segue aprofundando a estratégia de recuperação operacional. Um porta-voz disse: “Estamos tomando novas medidas dentro da estratégia Back to Starbucks, apoiados pelo forte momento do negócio e trabalhando para devolver à companhia um crescimento sustentável e lucrativo”.

A empresa também informou que líderes internos revisaram operações para reduzir complexidade, priorizar áreas estratégicas e cortar custos. As ações da Starbucks registraram alta de 1,5% nesta sexta-feira, movimento visto por investidores como sinal de confiança na reestruturação.





Jim Cramer relatou que conversou com Brian Niccol e que o CEO descreveu os cortes como parte natural da condução dos negócios. O anúncio ocorreu um dia após o banco TD Cowen elevar a recomendação para as ações da Starbucks. Analistas do CNBC Investing Club mantiveram preço-alvo de US$ 115 (R$ 585,4) e recomendação equivalente ao nível 2, sugerindo cautela antes de ampliar posições.

Apesar da recuperação nas vendas comparáveis da rede, a retomada tem avançado em ritmo mais lento do que alguns investidores esperavam. Ainda assim, os papéis da Starbucks acumulam alta superior a 9% no último mês e valorização de 28% no ano, e há disposição do mercado em conceder mais tempo à administração, segundo Cramer: “As pessoas estão dispostas a dar tempo para ele” e “É por isso que as ações estão subindo.”

Com informações de Timesbrasil