A inclusão do empresário Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, na Difusão Vermelha da Interpol passou a ser um dos desdobramentos da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal na sexta-feira (15). A ação mira suposto esquema de ocultação de patrimônio, evasão de divisas e fraudes fiscais no setor de combustíveis.
O que é a Difusão Vermelha da Interpol?
A Difusão Vermelha, conhecida internacionalmente como Red Notice, é um aviso emitido pela Interpol para auxiliar na localização de pessoas apontadas como foragidas por um país membro. O mecanismo permite o intercâmbio de informações entre polícias de diferentes Estados e pode servir para solicitar prisão provisória enquanto são avaliados pedidos de extradição. No entanto, a medida não equivale automaticamente a um mandado de prisão internacional: cada país decide, conforme sua legislação, se prende ou não o procurado.
No caso de Magro, que mora em Miami (Estados Unidos), a inclusão na lista amplia a comunicação sobre sua condição de procurado às autoridades de outros países. A Interpol passa a compartilhar o alerta com agentes em 196 nações.
Alcance da Operação Sem Refino
Segundo a Polícia Federal, a ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi cumprida no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A investigação envolve um conglomerado empresarial ligado à Refit, proprietária da Refinaria de Manguinhos, e apura se empresas do grupo foram usadas para ocultar bens, remeter recursos ao exterior e praticar fraudes tributárias.
A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão de atividades econômicas de empresas relacionadas ao caso. Foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública. A ofensiva contou com apoio técnico da Receita Federal e foi autorizada no âmbito da ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas.
Cláudio Castro entre os alvos
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro também foi alvo da operação: agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão em sua residência, em um condomínio na Barra da Tijuca. Castro deixou o governo em março, antes do término do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que o declarou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Apesar das investigações, ele articula candidatura ao Senado nas eleições deste ano. Após sua renúncia, o comando do estado passou interinamente ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, enquanto o STF analisa se a eleição para escolha do novo governador será direta ou indireta.
A Refit divulgou nota em que afirma que as questões tributárias estão sendo tratadas na esfera judicial e administrativa, que a atual gestão herdou passivos de administrações anteriores e que realizou pagamentos de cerca de R$ 1 bilhão ao Estado do Rio no último exercício. A empresa nega ter falsificado declarações fiscais, afirma que laudos indicam tratar-se de óleo bruto de petróleo e rejeita abastecimento de grupos criminosos, alegando ter colaborado com denúncias contra postos ligados a facções, incluindo ações que teriam levado ao fechamento da Copape em meados de 2024.
As investigações seguem em curso com medidas judiciais e procedimentos administrativos em andamento.
Com informações de Timesbrasil

