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Adam Capital vê inteligência artificial barata e sem sinal de bolha, diz Appel

Resumo

Adam Capital, gestora com cerca de R$ 3 bilhões sob responsabilidade, está ampliando a exposição à inteligência artificial (IA). O sócio-fundador e...

Adam Capital, gestora com cerca de R$ 3 bilhões sob responsabilidade, está ampliando a exposição à inteligência artificial (IA). O sócio-fundador e presidente, Marcio Appel, definiu a tese como “a oportunidade de investimento mais assimétrica do mundo” e sentenciou: “Nunca nada tão óbvio esteve tão barato”.

O gestor falou no programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo, e chamou atenção para o fato de “muitos investidores não enxergarem” o cenário atual. Ele diz jamais ter visto paralelo na carreira. Para Appel, tratar a valorização recente do setor como bolha repete um erro de percepção.

Na entrevista, o executivo comparou o momento com a escalada do índice Nasdaq nos anos 1990. À época, o múltiplo preço-lucro das empresas de internet explodiu enquanto o índice multiplicava por cinco. Agora, observa ele, acontece o inverso: algumas ações de IA sobem forte, mas os múltiplos encolhem porque “os lucros caminham mais rápido que os preços”. Segundo Appel, isso afasta o diagnóstico de exuberância irracional e reforça a convicção da casa. O movimento é acompanhado de perto pela redação de Economia & Finanças da S&N.

Lucro antes do preço

Appel frisou que o mercado acionário norte-americano, como um todo, “praticamente não subiu” no período recente, o que, em sua ótica, dilui a tese de excesso de otimismo. O gestor disse ainda que nunca houve uma bolha em que os participantes reconhecessem o fenômeno enquanto ele se formava. “Fico tranquilo quando ouço o mercado alertar para bolha”, afirmou.

“Os lucros das empresas estão andando mais rápido do que os preços”, declarou Appel no programa.

Na visão do gestor, a IA altera a lógica de vários setores simultaneamente e de forma profunda, algo comparável — mas ainda maior — à Revolução Industrial. Ele propõe a ideia de que o mundo sai do antropoceno, etapa em que o homem molda o planeta, e entra no “tecnoceno”, era na qual a tecnologia assume o protagonismo das transformações sociais e econômicas.

Aposta central da carteira

A Adam Capital não detalhou o percentual da carteira dedicado à estratégia, mas Appel classificou a posição como sua “maior aposta hoje”. Com cerca de R$ 3 bilhões sob gestão, a casa pretende navegar no que enxerga como um ciclo de consolidação de empresas de IA, enquanto boa parte dos investidores, segundo ele, continua alocada em setores tradicionais ou na renda fixa doméstica.

Para sustentar a tese, Appel recorre ao histórico recente: múltiplos decrescentes, expansão acelerada de lucro e valorização limitada ao grupo de companhias realmente vencedor. “A diferença fundamental para o ano 2000 é que agora há geração robusta de caixa”, disse.

Leitura do Editorial S&N

Para a S&N, esse movimento indica uma mudança de eixo na alocação global de capital. Se os lucros continuarem crescendo acima do preço, investidores institucionais tendem a elevar a parcela em tecnologia sem repetir a alavancagem exagerada da virada do milênio. Em outras palavras, o fluxo pode vir mais da realocação de portfólios do que de excesso de liquidez, o que reforça a leitura de Appel sobre a ausência de bolha.





A evolução do tema será decisiva para determinar não só a performance da Bolsa americana, mas também a dinâmica de capitais em mercados emergentes, já que fundos globais ajustam risco entre regiões. Appel aposta que o epicentro da valorização ainda está concentrado, o que abre espaço para ganhos adicionais se a adoção corporativa de IA mantiver o ritmo atual.

Até aqui, a fala do gestor representa uma visão fora do consenso, mas amplamente embasada em números de lucro. Se confirmada, a tese pode redefinir o peso do setor tecnológico nos índices globais e influenciar diretamente decisões de alocação de investidores brasileiros que buscam diversificação no exterior.

No curto prazo, o debate sobre bolha permanece, mas Appel segue confortável. Ao ver a desconfiança do mercado, ele conclui que a precificação “continua barata” — ao menos para quem, como ele, acredita que a era do “tecnoceno” já começou.

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