China aprovou nesta segunda-feira (13) seu primeiro plano quinquenal voltado exclusivamente ao consumo, estabelecendo a meta de alcançar cerca de 60 trilhões de iuanes (US$ 8,85 trilhões) em vendas no varejo até 2030.
O documento, chancelado pelo Conselho de Estado, também se compromete a ampliar a renda das famílias, reforçando o papel do consumo como motor do crescimento econômico. A iniciativa se soma a outras políticas acompanhadas pela editoria de Economia & Finanças, que destacam a busca de Pequim por maior dinamismo interno.
Impulso ao consumo de serviços
O plano prevê expansão do consumo em setores intensivos em serviços, entre eles cuidados a idosos e crianças, saúde, cultura, turismo, esportes e educação. Para atrair mais viajantes estrangeiros, o governo pretende ampliar isenções de visto e autorizar novos voos diretos para Europa, Estados Unidos e países que integram a Nova Rota da Seda.
Novos modelos de consumo
Pequim planeja estimular formatos de compra baseados em tecnologia digital, inteligência artificial e princípios de sustentabilidade. O texto também cita “consumo verde” e experiências presenciais como áreas onde empresas devem encontrar oportunidades de inovação.
O governo menciona ainda medidas para incentivar gastos de turistas estrangeiros em território chinês, indicando flexibilização de pagamentos e adoção de soluções mobile compatíveis com cartões internacionais.
Mais renda para sustentar o consumo
Para viabilizar a meta de 60 trilhões de iuanes, o plano lista ações destinadas a fortalecer o poder de compra das famílias. Entre elas estão geração de empregos, aumento salarial, maior rendimento proveniente de propriedades, além de aperfeiçoamento da previdência social e dos serviços públicos.
Tanto a política fiscal quanto a financeira deverão priorizar benefícios diretos aos consumidores. O documento prevê estímulos a projetos de infraestrutura associados ao varejo e à economia do dia a dia, numa tentativa de reduzir gargalos logísticos e ampliar a oferta de bens e serviços.
Remoção de barreiras e foco no cidadão
Pequim promete eliminar “medidas restritivas irracionais” que ainda pesam sobre a compra de automóveis, a aquisição de moradias e a realização de eventos de entretenimento. A expectativa é que a simplificação regulatória libere demanda reprimida e gere ambiente mais favorável ao investimento privado.
Segundo o texto, as autoridades vão monitorar indicadores de bem-estar para ajustar as políticas de suporte ao consumo ao longo do quinquênio. O plano reforça que o desempenho do varejo passará a ser acompanhado com a mesma atenção dedicada tradicionalmente às exportações e ao investimento em infraestrutura.
Com essa diretriz, a China sinaliza mudança de ênfase em sua estratégia de crescimento: de um modelo calcado em produção pesada e comércio exterior para outro focado no mercado interno e na capacidade de gasto da população.
(Reportagem da redação em Pequim e Kevin Yao)


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