Uma nova proposta de tecnologia quer levar a inteligência artificial para um território que pode incomodar muitos donos de pequenos negócios: a própria realidade financeira da empresa.
O Davi Santiago® Technology trabalha em um projeto de sistema de gestão voltado a pequenos negócios que combina controle de vendas, estoque, custos, lucro e projeções financeiras com um agente de inteligência artificial criado para fazer algo pouco convencional: não bajular o empresário.
A ideia é que o sistema não apenas responda perguntas, mas confronte o usuário quando os próprios números indicarem que existe um problema.
Em vez de simplesmente mostrar um gráfico vermelho, por exemplo, o agente poderá explicar por que determinado produto está dando prejuízo, apontar as consequências e propor uma ação concreta.
“Você está pagando para vender.”
Essa é uma das frases utilizadas no próprio plano de produto para ilustrar o tipo de conversa que a tecnologia deverá ser capaz de ter com o empresário.
Uma IA que não foi criada para agradar
Segundo o documento de planejamento do projeto, a missão do agente é “falar a verdade sobre os números, sem bajular” e propor ações concretas para melhorar o negócio.
A proposta estabelece uma diferença importante em relação a um chatbot convencional: a inteligência artificial não deverá inventar os números nem realizar os cálculos por conta própria.
O projeto prevê um motor financeiro determinístico responsável pelos cálculos. A IA ficaria encarregada de interpretar os resultados, explicar os problemas e conversar com o empresário sobre possíveis decisões.
O sistema também deverá verificar se os números mencionados pelo agente realmente existem nos dados da empresa.
A intenção é reduzir um dos maiores riscos de sistemas baseados em IA: apresentar uma resposta convincente, porém incorreta.
“Você está pagando para vender”
O plano apresenta um exemplo bastante direto de como a tecnologia deverá agir.
Imagine um produto comprado por R$ 4,60 e vendido por R$ 4,50. Se esse produto foi vendido 14 vezes, o sistema identifica que existe prejuízo e pode questionar o empresário sobre a estratégia.
Mas o agente não deverá simplesmente mandar aumentar o preço.
No exemplo apresentado no planejamento, o empresário argumenta que o produto barato serve para atrair clientes. A IA então cruza os dados das vendas e verifica se os compradores realmente levaram outros produtos suficientes para compensar o prejuízo.
Se os números não sustentarem a estratégia, o sistema poderá propor alternativas como aumentar o preço ou manter a promoção por um período limitado e medir novamente os resultados.
É justamente esse comportamento que pode tornar a proposta controversa: a IA não estaria ali apenas para responder ao dono da empresa, mas para questionar algumas das decisões dele.
O “achismo” como inimigo
O projeto parte de uma premissa simples: muitos pequenos empresários ainda administram o negócio com base em cadernos, planilhas, memória e percepção pessoal.
O plano cita uma pesquisa do Sebrae, reproduzida em imprensa especializada, segundo a qual softwares de gestão estão presentes em aproximadamente metade da administração das pequenas empresas. A outra metade, na visão do projeto, representa uma oportunidade de mercado.
O problema identificado pela equipe não seria apenas a falta de tecnologia, mas também a complexidade de muitas ferramentas existentes.
A proposta de Davi Santiago parte na direção oposta: menos telas, menos termos técnicos e mais respostas objetivas.
O conceito prevê, por exemplo, que o empresário veja “lucro” em vez de “resultado operacional” e “quanto sobrou” em vez de expressões financeiras mais complexas.
Do celular para o controle do negócio
A primeira versão planejada seria um aplicativo web progressivo, conhecido como PWA. Na prática, o sistema poderia ser instalado pelo navegador do celular, receber um ícone na tela inicial e funcionar mesmo quando o usuário estiver sem internet por determinados períodos.
Um dos recursos centrais seria o botão “Vendi”.
A proposta é que o empresário registre uma venda em poucos toques. O sistema então poderia baixar o estoque, registrar a entrada no caixa, calcular o lucro estimado, considerar taxas e impostos parametrizados e atualizar os indicadores do negócio.
O projeto estabelece como meta registrar uma venda simples em até três toques e dez segundos em um celular de entrada.
Também está previsto o cadastro de produtos por fotografia. O empresário poderia fotografar um produto, informar nome e preço, e receber sugestões de categoria, código, ficha e margem antes de confirmar o cadastro.
Até 10 anos de projeção
Outro ponto ambicioso do projeto é a possibilidade de visualizar cenários financeiros de longo prazo.
A plataforma deverá trabalhar inicialmente com projeções de 12 meses e, posteriormente, cenários de 5 e 10 anos.
Mas há uma ressalva importante: o próprio projeto determina que projeções de longo prazo sejam apresentadas como cenários, e não como previsões garantidas.
Entre as variáveis que poderiam ser alteradas estão crescimento mensal, reajuste de preços, inflação dos custos, mudanças tributárias e abertura de novos produtos.
O sistema também deverá informar um indicador de confiança baseado na quantidade de dados disponíveis.
O exemplo das cinco bonecas
O plano utiliza um exemplo hipotético para demonstrar como o motor financeiro funcionaria.
Uma empresa compra cinco bonecas por um custo de R$ 3,20 cada, já considerando o frete rateado, e vende cada unidade por R$ 5.
A venda total chega a R$ 25. O custo das mercadorias seria de R$ 16 e o imposto hipotético, de R$ 1.
Resultado: R$ 8 de lucro, equivalente a 32% da venda.
Se houver ainda um custo de entrega de R$ 2 pago pelo empresário, o lucro cai para R$ 6, ou 24%.
A lógica é transformar uma venda aparentemente simples em uma informação capaz de mostrar ao dono quanto realmente sobrou.
Quanto custaria?
Os preços ainda são tratados como hipóteses a serem validadas durante o piloto.
| Plano | Preço sugerido |
|---|---|
| Essencial | R$ 49/mês |
| Negócio | R$ 89/mês |
| Social | Gratuito para beneficiários |
O plano também prevê teste gratuito de 14 dias, desconto de 15% no plano anual e uma proposta de preço travado por 24 meses para clientes que aderirem em 2027.
Esses valores, entretanto, ainda não representam necessariamente os preços finais do produto.
Uma conta que chama atenção
O documento apresenta ainda um exercício financeiro para estimar a economia do produto.
Considerando uma receita média hipotética de R$ 60 por cliente ao mês, o plano estima R$ 6 de consumo de IA, R$ 1,20 de taxa de pagamento e R$ 5 de suporte e mensagens.
Nessa simulação, sobrariam R$ 47,80 de margem de contribuição por cliente.
Com 500 clientes pagantes, a margem de contribuição estimada seria de aproximadamente R$ 23.900 por mês.
O próprio documento alerta, porém, que esses números são ilustrativos e não uma previsão financeira. Custos fixos, equipe, contabilidade, jurídico e outros gastos ainda precisariam ser descontados.
Projeto prevê piloto com até 20 empresas
Antes de um lançamento amplo, a proposta prevê uma etapa de descoberta com empresários reais.
A ideia é entrevistar 20 donos de pequenos negócios em Manacapuru e arredores e observar pelo menos cinco deles durante um dia de operação.
Depois disso, o projeto prevê um piloto com 10 a 20 negócios, durante seis a oito semanas.
Entre os critérios de sucesso está a meta de que pelo menos 60% dos negócios registrem vendas em quatro de cada cinco semanas e que pelo menos 50% afirmem que pagariam pelo sistema.
Meta: 100 negócios ativos
O cronograma apresentado divide a execução em quatro etapas: descoberta, MVP, piloto e lançamento.
A fase de MVP está estimada entre as semanas 4 e 15. O piloto ocorreria entre as semanas 16 e 23. Já a abertura pública seria planejada entre as semanas 24 e 30.
O primeiro grande marco comercial estabelecido no documento é chegar a 100 negócios ativos.
Entre os indicadores planejados estão 70% de ativação, 70% de retenção em 30 dias, 55% em 90 dias, 20% de conversão do teste gratuito para assinatura e NPS acima de 50.
Uma IA que também pode dizer “não sei”
Talvez uma das partes mais importantes da proposta esteja justamente naquilo que a inteligência artificial não deverá fazer.
O agente não poderá inventar números, humilhar o empresário, manipular decisões ou apresentar aconselhamento jurídico, fiscal ou médico como definitivo.
Quando não houver informação suficiente, o sistema deverá reconhecer a limitação.
O plano também prevê que, diante de sinais graves de sofrimento emocional, o agente abandone o tom de gestão e priorize orientação para busca de apoio humano.
Um projeto que ainda terá de provar sua própria promessa
Apesar da proposta ambiciosa, o documento deixa claro que diversos pontos ainda precisam ser validados.
O plano é identificado como versão 1.0, para estudo e avaliação, e afirma que estimativas de prazo e esforço ainda precisam ser confirmadas pela equipe de desenvolvimento antes de qualquer compromisso externo.
Também estão entre as decisões pendentes o nome comercial definitivo do produto e do agente, os preços do piloto, a estrutura societária, os contratos de desenvolvimento e hospedagem e a escolha das empresas que participarão dos testes.
Isso significa que a tecnologia, neste momento, deve ser entendida como uma proposta em desenvolvimento, e não como um produto consolidado no mercado.
Davi Santiago quer transformar números em confronto
A aposta é que a diferença não esteja apenas na capacidade de registrar uma venda ou controlar um estoque, mas na forma como a tecnologia conversa com o empresário.
Em vez de entregar dezenas de gráficos e deixar o usuário interpretar os dados sozinho, a proposta pretende transformar os números em perguntas incômodas:
- Seu produto que mais vende é realmente o que mais dá lucro?
- Você está vendendo abaixo do custo?
- Quanto dinheiro está parado no estoque?
- Seus clientes estão financiando o negócio por meio do fiado?
- Quanto você precisa vender por mês apenas para pagar as contas?
- Se continuar nesse ritmo, onde sua empresa estará daqui a cinco ou dez anos?
É uma abordagem deliberadamente provocativa.
A proposta não quer apenas mostrar os números ao empresário. Quer obrigá-lo a encarar o que eles significam.
Declaração de Davi Santiago – validar antes da publicação
“A nossa proposta é simples: o empresário não precisa de uma tecnologia que diga apenas aquilo que ele quer ouvir. Ele precisa saber o que realmente está acontecendo no negócio. Se os números mostrarem que uma decisão está errada, a tecnologia precisa ter coragem de mostrar isso e ajudar a encontrar uma saída.”
Uma provocação ao mercado
Se o projeto avançar conforme o planejamento, a principal provocação de Davi Santiago® Technology não será simplesmente lançar mais uma ferramenta de gestão.
Será colocar uma inteligência artificial entre o empresário e suas próprias desculpas.
Porque uma coisa é perguntar para uma IA como melhorar as vendas.
Outra, bem diferente, é ouvir dela:
“Você está vendendo, mas não está lucrando.”
E, para muitos pequenos negócios, talvez essa seja justamente a conversa que ninguém teve coragem de iniciar.


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