USTR publicou, na noite de quarta-feira (15/07), a relação de mais de 2.100 mercadorias brasileiras que ficarão fora da tarifa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos e válida a partir de 22 de julho. Entre os itens liberados estão cortes de carne, café solúvel e obras de arte.
A tarifa adicional atinge produtos exportados pelo Brasil após uma investigação comercial norte-americana relacionada a setores como Pix e etanol. Com a lista de exceções, parte relevante da pauta de embarques nacionais escapa da sobretaxa, embora as vendas restantes continuem sujeitas ao encargo.
O Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) não divulgou o valor total dessas exportações, mas indicou que a seleção busca minimizar impactos sobre consumidores e cadeias produtivas locais. A informação foi tornada pública às 00h55 (horário de Brasília) de 16/07. Para conferir o contexto mais amplo da medida, acesse a editoria de Economia & Finanças da S&N.
Principais categorias isentas
- Carnes in natura e processadas
- Café solúvel e derivados
- Peças de arte, antiguidades e colecionáveis
Segundo o órgão norte-americano, critérios como baixa substituição doméstica e dependência de insumos brasileiros pesaram na decisão. Ao mesmo tempo, a Casa Branca manteve o percentual pleno sobre segmentos considerados estratégicos para Washington, sem detalhar quais.
Na leitura do Editorial S&N, a exclusão de alimentos e bens culturais revela preocupação da administração Trump com possíveis altas de preços internos às vésperas das eleições legislativas. Já para exportadores brasileiros, a lista funciona como um alívio parcial: garante continuidade a embarques tradicionais, mas não elimina a incerteza sobre setores ainda sujeitos à sobretaxa.
Entidades empresariais ouvidas anteriormente pela Folha de S.Paulo, como a paulista SP Negócios, haviam calculado que até 9,3% da pauta estadual poderia ser afetada pela tarifa integral. A nova lista reduz esse alcance, mas o porcentual definitivo dependerá do mix embarcado após 22/07.
Especialistas apontam que futuras negociações bilaterais devem focar na revisão do processo investigativo que originou a tarifa. Até lá, companhias brasileiras avaliam redirecionar volumes a outros mercados ou revisar preços para manter competitividade nos Estados Unidos.
Para a S&N, esse movimento indica que, mesmo diante de tensões comerciais, Washington busca calibrar pressões sem desmontar cadeias globais essenciais — sinal de que a política tarifária continuará negociável, embora sujeita a contrapartidas.
O governo brasileiro ainda não anunciou contramedidas. A poucos dias da entrada em vigor, a expectativa é que Brasília concentre esforços em abrir diálogo técnico com o USTR, tentando ampliar a lista de isenções ou postergar a cobrança.


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