Estados Unidos propuseram ao governo brasileiro zerar tarifas de importação de bens industriais e produtos químicos, abrir integralmente o mercado nacional ao setor automotivo norte-americano e restringir investimentos de países terceiros em minerais críticos e terras raras. A lista de exigências, revelada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, veio à tona nesta quinta-feira, 16, em Brasília, no contexto das negociações que buscavam evitar o tarifaço de 25% imposto pelos EUA.
O pedido de Washington foi apresentado durante as conversas para barrar a sobretaxa anunciada ainda no governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. Segundo o MDIC, o pacote exigia não apenas a redução a zero das alíquotas de importação voltadas a segmentos industriais estratégicos, mas também a criação de barreiras a investimentos estrangeiros — especialmente de nações não especificadas — em cadeias de minerais considerados essenciais pela Casa Branca.
Para o MDIC, a amplitude das condições inviabilizou um acordo imediato. A pasta informou que mantém diálogo com a embaixada norte-americana, mas não vê espaço político para abrir mão da proteção tarifária a setores sensíveis. O governo também argumenta que qualquer mudança estrutural passaria por consultas ao setor privado e ao Congresso. A discussão permanece em pauta, como registra a editoria Economia & Finanças de S&N.
Tarifas EUA Brasil e o impacto no setor
As sobretaxas de 25% funcionam como instrumento de pressão desde 2018. O Brasil, tradicional exportador de produtos siderúrgicos, tenta evitar perdas de competitividade, enquanto os EUA buscam contrapartidas que ampliem seu acesso ao mercado interno brasileiro. A abertura total ao setor automotivo, por exemplo, colocaria montadoras nacionais frente a concorrentes com escala global e poderia reposicionar investimentos já anunciados para a próxima década.
Minérios estratégicos no centro da disputa
Embora tratados como tema técnico, minerais críticos e terras raras são peças-chave na produção de baterias, turbinas e semicondutores. Ao exigir limitações a capitais de terceiros, Washington reforça sua estratégia de diversificar fornecedores e mitigar dependências externas. Na leitura do Editorial S&N, o movimento confirma a mineralogia como vetor geopolítico da indústria verde — e sinaliza que o Brasil, dono de reservas expressivas, seguirá no radar das maiores economias.
Resta saber se o governo brasileiro, pressionado por demandas de reindustrialização e compromissos climáticos, conseguirá equilibrar proteção de mercado, atração de investimentos e inserção global. Para a S&N, esse xadrez comercial tende a ganhar ritmo nos próximos meses, à medida que Brasília refine sua política industrial e defina prioridades para a agenda de transição energética.


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