Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira (13) que o orçamento federal registrou déficit de US$120 bilhões em junho, resultado diretamente influenciado pelos reembolsos de tarifas consideradas ilegais pelo Judiciário americano.
O número contrasta com o superávit de US$27 bilhões anotado em junho de 2025, saldo que a Casa Branca à época exibiu como prova de que as tarifas impulsionavam a arrecadação. Em 2025, o governo chegou a divulgar recorde de US$272 bilhões em receitas ligadas às cobranças definidas pelo então presidente Donald Trump.
Segundo a série histórica do Tesouro, a inversão de sinal ocorreu porque a classificação de ilegalidade das tarifas obrigou Washington a devolver parte dos valores cobrados de importadores. Para a cobertura de Economia & Finanças da S&N, esse movimento indica pressão adicional sobre a gestão fiscal dos EUA justamente quando o país encara juros mais altos e debate novos limites de endividamento.
Como o déficit surgiu
Após as tarifas — que variavam de 10% a 41% sobre exportações ao mercado americano — serem derrubadas nos tribunais, empresas afetadas passaram a solicitar restituições. Com a enxurrada de pedidos, o Tesouro precisou registrar saídas de caixa que superaram a entrada regular de tributos em junho.
O órgão não detalhou quanto do déficit de US$120 bilhões corresponde exclusivamente a reembolsos, mas confirmou que os desembolsos superaram as receitas totais do mês. No mesmo período de 2025, a combinação de arrecadação recorde e gasto moderado levou ao superávit de US$27 bilhões.
Impacto político e fiscal
Na leitura do Editorial S&N, a reversão de superávit para déficit pode alimentar o debate presidencial de 2026 sobre a eficácia de políticas tarifárias como instrumento de receita. O episódio ainda lança sinais para investidores que acompanham o ritmo de emissão de títulos públicos americanos.
Parlamentares contrários às tarifas de Trump sustentam que a devolução de valores evidencia “custo duplo”: retaliações comerciais que encareceram produtos e, agora, pressionam o Tesouro. Já defensores da medida afirmam que o impacto de junho é pontual e que o governo ainda se beneficiou de mais de US$270 bilhões em receitas extras no ano passado.
Nos próximos meses, o Tesouro divulgará o relatório anual fechado de 2026, quando será possível dimensionar o peso dos reembolsos no saldo fiscal do exercício. Até lá, analistas esperam maior volatilidade nas contas mensais.
Para a S&N, o episódio reforça um ponto sensível para qualquer governo: mesmo quando as tarifas elevam a arrecadação no curto prazo, o risco jurídico pode transformar ganho em despesa inesperada. O desfecho definirá o espaço fiscal para novas iniciativas e a confiança de parceiros comerciais na previsibilidade das regras americanas.


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