Embaixada dos Estados Unidos procurou o deputado Aliel Machado (PV-PR) em 13/07/2026 para solicitar o adiamento da votação do projeto que trata da regulação dos mercados digitais na Câmara dos Deputados.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, representantes norte-americanos pediram que o texto não seja levado ao plenário nas próximas semanas. A solicitação teria sido feita a mando de grandes empresas de tecnologia que operam no país e observam com preocupação a tramitação da proposta. O episódio amplia o debate sobre o setor digital e evidencia a pressão de players internacionais sobre o Legislativo brasileiro.
Como foi conduzido o pedido
O encontro ocorreu na terça-feira (7), quando diplomatas se reuniram com Aliel Machado, relator do projeto. Na conversa, os representantes alegaram que a matéria precisaria de mais tempo para análise antes de ser votada. Não houve, contudo, sugestão formal de emendas ou alterações ao texto, apenas a defesa de um cronograma mais longo.
De acordo com o relato publicado pelo jornal, a aproximação teve caráter reservado. O parlamentar ainda não se manifestou publicamente sobre eventuais mudanças no calendário de votação.
Interesse das big techs
O pedido da embaixada teria sido motivado por preocupações de grandes plataformas digitais, que veem na proposta brasileira a possibilidade de criação de regras específicas para seu modelo de negócios. Entre os pontos em discussão estão requisitos de transparência, condutas concorrenciais e responsabilidades sobre conteúdo.
Empresas classificadas como “gatekeepers” – organizações capazes de influenciar significativamente o acesso de consumidores a serviços online – acompanham o debate em diversos países. No Brasil, o projeto em análise busca estabelecer parâmetros semelhantes aos adotados em legislações internacionais voltadas à competição no ambiente digital.
Próximos passos na Câmara
Ainda não há nova data definida para a votação. A decisão de retardar ou não o processo caberá ao presidente da Casa e aos líderes partidários, que podem priorizar outras pautas no curto prazo. Caso o texto seja adiado, a discussão só deve avançar após o recesso parlamentar.
Enquanto isso, defensores da proposta argumentam que a aprovação é necessária para atualizar o marco regulatório brasileiro e proteger a livre concorrência. Já os críticos sustentam que regras mais rígidas podem inibir investimentos e limitar a inovação no setor.
O desenrolar das negociações nas próximas semanas indicará se a pressão diplomática surtirá efeito ou se o Congresso manterá o ritmo previsto inicialmente para o projeto.


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