IBGE registrou em maio um avanço de 15,2% nas vendas de livros e jornais – categoria que inclui revistas e itens de papelaria – na comparação com abril, graças à febre dos álbuns e figurinhas da Copa do Mundo de 2026.
Álbum da Copa vira motor improvável das vendas de livros e jornais
Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio, disse que “a procura pelos álbuns e figurinhas da Copa” responde pela alta expressiva do subsetor. A Copa não trouxe troféu para a seleção brasileira, mas animou gráficas, bancas de jornal e livrarias que passaram a vender envelopes de figurinhas como item de primeira necessidade para colecionadores de todas as idades.
Segundo dados do varejo nacional publicados na base do IBGE e reunidos na seção Economia & Finanças da S&N, o comércio como um todo teve variação marginal de 0,1% na passagem de abril para maio. O efeito Copa, porém, espalhou-se para outros corredores das lojas.
Televisores, eletrodomésticos e moda entram na onda do Mundial
O grupo móveis e eletrodomésticos, onde os televisores são classificados, cresceu 8,8% — resultado que o instituto também relaciona à competição esportiva. Já a categoria tecidos, vestuário e calçados subiu 3,1%, impulsionada por camisetas temáticas e acessórios nas cores verde-amarelo.
Na leitura do Editorial S&N, o comportamento confirma como grandes eventos esportivos funcionam como alavanca de curto prazo para segmentos considerados maduros. Basta um gatilho emocional — no caso, a troca incessante de cromos — para que o consumidor volte a circular por canais físicos e digitais de venda, multiplicando o tíquete médio com compras de oportunidade.
Expectativa de retomada do varejo nos próximos meses
Embora o salto nas vendas de livros e jornais tenha sido pontual, há sinais de que a trajetória pode melhorar, avalia o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs. Em relatório enviado a clientes, Ramos cita “robustas transferências fiscais do governo federal para as famílias de baixa renda, que têm alta propensão ao consumo”.
O banco lembra que Brasília colocou em campo programas de crédito direcionado, ampliou as faixas de isenção do Imposto de Renda e abriu frentes de renegociação de dívidas. Combinado a um mercado de trabalho ainda firme, o pacote sustenta a renda real disponível e pode aparecer nas próximas divulgações da Pesquisa Mensal do Comércio.
O cenário, contudo, não é isento de riscos. Taxas de juros em patamar elevado, inflação resistente e endividamento das famílias seguem como freios ao ímpeto de compra. Para a S&N, esse equilíbrio entre estímulo fiscal e restrições financeiras vai determinar se a arrancada vista nos álbuns da Copa ficará restrita ao período do Mundial ou se marcará o início de uma tendência de recuperação mais ampla no varejo.
Seja qual for o desfecho, a lição para editoras e lojistas é clara: produtos colecionáveis, quando conectados a momentos de forte apelo emocional, transformam-se em catalisadores de tráfego e receita. A história mostra que álbuns de figurinhas voltam a cada quatro anos; a pergunta que o mercado editorial passa a se fazer é como repetir o modelo em intervalos menores.


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