Flávio Bolsonaro esteve em 7 de julho no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, mas não conversou com o chefe da agência, Jamieson Greer, nem com a equipe técnica sobre o chamado tarifaço. A informação, obtida pela revista Exame, parte de um integrante do governo Trump que acompanhou a agenda.
O encontro, formalmente uma audiência pública, ocorreu no momento em que crescia a expectativa de mudanças tarifárias que poderiam afetar exportadores brasileiros. O USTR — órgão que assessora a Casa Branca em política comercial e conduz negociações internacionais — costuma ser a porta de entrada para qualquer pedido de flexibilização ou de defesa contra sobretaxas.
Para a S&N, esse movimento indica um desalinhamento de expectativas entre parlamentares brasileiros e formuladores de políticas em Washington. Em viagens do gênero, atores privados e governos contam com cada minuto de reunião para defender posições ou antecipar cenários. Quando isso não ocorre, abre-se espaço para interpretações de que não há estratégia unificada ou até mesmo prioridade política para o tema.
Possíveis reflexos na relação Brasil-EUA
A ausência de contato específico sobre o tarifaço não significa, por si, que o assunto esteja fora da mesa. O USTR mantém canais regulares com a diplomacia brasileira, e qualquer reajuste tarifário deve passar por consultas formais. Entretanto, no terreno simbólico — crucial em negociações comerciais — a iniciativa de buscar os principais decisores costuma pesar.
Especialistas ouvidos em outras ocasiões pela categoria Economia & Finanças da S&N observam que a etapa política antecede a técnica: demonstrar engajamento direto com o staff de Greer poderia sinalizar urgência e disposição para mitigar danos a exportadores nacionais.
Sem detalhes adicionais da visita ou da pauta tratada, resta acompanhar se novos encontros serão agendados ainda neste semestre, quando o governo norte-americano revisa listas de produtos sujeitos a tarifas. Caso contrário, empresas brasileiras podem ter de articular suas demandas sem o respaldo explícito do parlamentar.
Na leitura do Editorial S&N, o episódio reforça a máxima de que diplomacia econômica exige preparação e timing. Mesmo um simples “não contato” em Washington repercute em Brasília, no setor privado e nos mercados que monitoram sinais de política comercial. O desdobramento prático — seja a manutenção, elevação ou suspensão de tarifas — dirá o peso real dessa falta de interlocução.


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