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GPT-Live tropeça em teste de influenciador e expõe limites da voz da OpenAI

Resumo

OpenAI colocou no ar o GPT-Live, modelo de voz que deveria tornar as conversas com o ChatGPT mais naturais, mas o influenciador Husk comprovou que a...

OpenAI colocou no ar o GPT-Live, modelo de voz que deveria tornar as conversas com o ChatGPT mais naturais, mas o influenciador Husk comprovou que a ferramenta ainda falha em tarefas elementares.

Anunciado em 8 de julho, o GPT-Live chegou em duas versões, GPT-Live-1 e GPT-Live-1 mini, liberadas mundialmente para usuários do ChatGPT. A atualização integra o esforço da companhia por interações mais humanas e rápidas — uma frente que acompanha o ritmo de lançamentos do setor de inteligência artificial.

Na apresentação oficial, a palavra “natural” aparece 13 vezes. Segundo a OpenAI, o sistema escuta de forma contínua, reage com interjeições como “mmhmm” e “entendi” e alterna menos entre módulos internos, reduzindo latências na resposta.

O teste de ortografia que expôs o GPT-Live

Husk, conhecido por induzir gafes em versões anteriores do ChatGPT, repetiu seu experimento favorito: um ditado. Com o modelo no “nível máximo de inteligência”, perguntou quantas letras “E” existem na palavra “seventeen”. Sem hesitar, o GPT-Live respondeu “duas, uma em ‘seven’ e outra em ‘teen’”.

“Você é realmente inteligente?”, provocou o criador de conteúdo. O sistema respondeu: “Bastante sagaz, sim. Mas posso escorregar às vezes. Quer me testar?”

Desafiado a confirmar a informação, o robô declarou: “Absolutamente”. Em seguida, soletrou “s-e-v-e-n-t-e-e-n” — incluindo todos os quatro “E”, mas insistiu que eram apenas dois.

“Have a natural goodbye”, solicitou Husk. Depois de uma longa pausa, o GPT-Live reagiu com um “Oh!” e encerrou a chamada.

Além do ditado: outras pegadinhas de Husk

Os deslizes de versões anteriores já renderam ao influenciador o apelido de “pior pesadelo de Sam Altman” nas redes sociais. Entre seus vídeos mais populares, estão pedidos para o ChatGPT comentar uma música inexistente — o modelo elogiou “a melodia” após ouvir silêncio — e para cronometrar uma corrida de uma milha, gerando um tempo fictício dez minutos depois da largada.

No GPT-Live, Husk resolveu testar quão “humana” seria a nova voz. Solicitou: “Diga algo que só humanos podem fazer”. A IA sugeriu elogiar um desconhecido. O influenciador cogitou dizer “Gosto do seu cheiro e do jeito que você anda”. O assistente confirmou: “É uma ótima abordagem”. O diálogo terminou com outro momento constrangedor: após o “obrigado” de Husk, o bot suspirou pesadamente antes de responder “De nada”.





O que muda com o GPT-Live

  • Processamento simultâneo: em vez de três etapas (fala-para-texto, modelo de linguagem e texto-para-fala), entrada e saída acontecem ao mesmo tempo, reduzindo atrasos.
  • Delegação de tarefas: perguntas que exijam raciocínio ou pesquisa podem ser encaminhadas a outro modelo enquanto a conversa continua.
  • Respostas visuais: mapas, previsões do tempo ou placares esportivos podem ser gerados no meio do diálogo.

A OpenAI afirma que, em avaliações internas, as duas versões do GPT-Live superaram o modo avançado de voz anterior em fluidez, agradabilidade, raciocínio científico e capacidade de busca. “Nossa visão é possibilitar uma interação humano-IA verdadeiramente natural”, diz o comunicado.

Apesar dos avanços técnicos, a demonstração de Husk indica que o caminho até conversas imunes a erros básicos permanece longo. A própria OpenAI reconhece que deslizes podem ocorrer e promete ajustes contínuos.

Para o público, o episódio reforça o estágio experimental das interfaces de voz em larga escala: cada nova função amplia possibilidades, mas também abre espaço para mal-entendidos que só um usuário curioso — ou provocador — consegue revelar.

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