Estádio de Dallas encerra nesta terça-feira sua participação na Copa do Mundo de 2026 com o duelo entre França e Espanha, e o gramado especialmente desenvolvido para a competição também se despede.
O campo foi fruto de cinco anos de pesquisa conduzidos pela equipe de gestão de gramados da Fifa em parceria com a Universidade do Tennessee e a Universidade Estadual de Michigan, iniciativa que reforça o papel da inovação em grandes arenas esportivas e converge com discussões abordadas em nossa seção de tecnologia aplicada ao esporte.
Para receber nove confrontos ao longo de quatro semanas, os especialistas instalaram, sobre a superfície sintética que normalmente serve ao Dallas Cowboys da NFL, um campo de tamanho oficial com perfil de solo completo e elementos híbridos semelhantes aos utilizados em estádios europeus de elite.
Pesquisa científica define a qualidade da superfície
Ian Craig, gerente de gramados da Fifa para o estádio, explica que o objetivo era assegurar consistência na forma como a bola rola e quica em todas as 16 sedes do torneio, bem como nos centros de treinamento das 48 seleções participantes.
“O que estamos fazendo aqui é sediar o maior torneio de futebol do mundo; esses são os melhores jogadores do mundo, por isso queremos oferecer as melhores superfícies para eles”, afirmou Craig.
Segundo o especialista, não basta exibir um gramado verde. O desempenho deve reproduzir as condições às quais atletas de elite estão habituados nos principais campeonatos internacionais, resultado só alcançado graças a longos experimentos de laboratório e testes de campo.
Desafios de um estádio coberto
Como um dos três palcos cobertos da Copa, o Estádio de Dallas apresentou obstáculos específicos: falta de luz solar direta e uso constante de ar-condicionado. Para contornar o problema, a grama — não nativa do clima texano — foi cultivada no Colorado e transportada para o Texas.
Lâmpadas de cultivo instaladas no teto entram em ação nos dias sem jogo, fornecendo luminosidade adequada para fotossíntese. O campo foi construído a aproximadamente 1,35 metro acima do nível da superfície usada na temporada regular da NFL, de modo a acomodar a estrutura dentro da arena.
“Estamos a quatro pés e meio acima do nível do campo da NFL, apenas para que isso caiba dentro do estádio, mas temos um perfil de solo completo ali”, disse Craig. “Este é um campo de futebol completo.”
A tecnologia híbrida combinou fibras sintéticas e naturais, prática já comum em estádios europeus. Craig ressalta que, embora temporário, o sistema reproduz as camadas de drenagem e sustentação de um gramado permanente.
Pós-Copa: desmontagem rápida para novos eventos
Logo após o apito final, a rotina do estádio volta ao habitual calendário de shows e partidas da NFL. Craig e sua equipe iniciarão a remoção cuidadosa do gramado, operação essencial para que a arena receba outros eventos sem atrasos.
“Este é um estádio muito, muito movimentado”, observou o gerente. “O campo cumpriu sua função e, em seguida, o local voltará a receber shows e jogos da NFL.”
Com o trabalho concluído, a superfície que garantiu condições homogêneas a astros do futebol mundial terá cumprido seu ciclo, fechando uma etapa que reforça a importância da pesquisa científica na infraestrutura esportiva moderna.


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