Ibovespa futuro começou a sexta-feira, 17, em terreno instável: após abrir em queda de 0,20%, aos 174.900 pontos, o contrato passou a operar perto de...
Ibovespa futuro começou a sexta-feira, 17, em terreno instável: após abrir em queda de 0,20%, aos 174.900 pontos, o contrato passou a operar perto de 175,2 mil pontos, variação próxima da estabilidade. Em paralelo, o dólar comercial avançava 0,21%, negociado a R$ 5,107 na compra e R$ 5,110 na venda, enquanto os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) subiam até 0,32 ponto-percentual na parte longa da curva.
O movimento local ganhou reforço dos primeiros indicadores do dia. A prévia do Produto Interno Bruto, medida pelo IBC-Br, cresceu 0,10% em maio, superando projeção da Reuters de estabilidade. Já o IGP-10 recuou 1,13% em julho, acumulando alta de 2,68% em 12 meses. Esses dados alimentam apostas de que o Banco Central manterá o tom conservador nas próximas decisões de política monetária. A cobertura completa de economia e finanças da S&N pode ser acompanhada aqui.
Cenário externo pressiona ativos de risco
Investidores globais voltaram a vender ações de tecnologia. Em Tóquio, o Nikkei 225 despencou 4,03%; na China, o CSI 300 perdeu 3,6%; e, na Europa, o Stoxx 600 recuava 0,45% às 8h08. Nos Estados Unidos, futuros do Nasdaq caíam 1,47%. A dúvida é se o boom de semicondutores ligado à inteligência artificial entregará os retornos esperados.
Ao mesmo tempo, a escalada entre Estados Unidos e Irã sustentou o petróleo: WTI subia 2,31%, a US$ 80,77, e Brent avançava 1,86%, a US$ 85,80. O minério de ferro em Dalian ganhou 0,53%, para 762 iuanes (US$ 112,50). O ambiente de cautela reforçou a busca por proteção via dólar e títulos, respingando na bolsa brasileira.
Curva de juros sobe com aversão ao risco
Os DIs abriram em alta em todos os vértices. O contrato para jan/27 marcava 13,885% (+0,072 p.p.), jan/29 14,130% (+0,248 p.p.) e jan/35 14,435% (+0,278 p.p.). A reprecificação reflete tanto o petróleo mais caro, que pressiona expectativas inflacionárias, quanto o dado do IPC-S, que avançou 0,20% na segunda quadrissemana de julho, acumulando 4,14% em 12 meses.
No câmbio, além do dólar à vista, o contrato futuro para agosto (WDOQ26) subia 0,07%, a 5.131,50 pontos. A leitura é de que o carry trade perde atratividade diante do prêmio extra nos Treasuries americanos e do risco político externo.
Empresas e agenda doméstica
Do lado corporativo, o Grupo Vamos reportou receita de R$ 1,55 bilhão no segundo trimestre, alta anual de 10,1%, com locação crescendo 7,5% para R$ 1,08 bilhão. No campo da política comercial, estudo citado pelo InfoMoney indica que a tarifa média dos EUA sobre produtos brasileiros chegará a 18,2% por quatro dias, a segunda maior do mundo. O BNDES pediu R$ 7,25 bilhões adicionais ao Tesouro para reforçar linhas de crédito a setores afetados pela medida.
Entre as ações, operadores de curto prazo monitoram mini-índice WINQ26, que recuava 0,05%, a 175.160 pontos, e mini-dólar WDOQ26, que subia 0,17%, a 5.130,00 pontos, segundo dados das 9h06.
“O sentimento do mercado foi afetado por mais um dia de ataques e contra-ataques no Oriente Médio”, informou a Reuters na abertura dos mercados.
Leitura S&N
Na leitura do Editorial S&N, a confluência entre alta do petróleo, tarifas sobre exportações brasileiras e revisão dos múltiplos de tecnologia lembra aos investidores domésticos a fragilidade do rali visto no primeiro semestre. A despeito do IBC-Br levemente positivo, a combinação de inflação implícita ascendente e prêmio menor no real pode limitar entradas de capital estrangeiro, mantendo o Ibovespa preso à faixa de 170-180 mil pontos no curto prazo.
Ao longo do dia, a atenção se volta à divulgação completa do Livro-Verde da B3 sobre o desempenho setorial e, nos Estados Unidos, à prévia de sentimento do consumidor de Michigan. Qualquer surpresa pode redefinir a correlação entre dólar e juros locais, determinante para o desempenho das ações de bancos e exportadoras.
Com a temporada de balanços prestes a se intensificar e a política internacional em ponto de ebulição, analistas recomendam vigilância redobrada a volatilidade e liquidez. Para a S&N, esse cenário testará a resiliência das empresas listadas em capturar eficiência operacional antes de qualquer retomada consistente da bolsa.
Editorial S&N
Editorial Sonho & Negócios (S&N)
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O trabalho é supervisionado por Flávio Vitor Santiago, Diretor de Captação e Conteúdo da S&N.
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