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Indústria pressiona por cotas de importação após tarifa de 25% dos EUA – 18/07/2026

Resumo

Abicalçados, entidade que representa a indústria nacional de calçados, levou ao governo Lula (PT) um pedido para instituir cotas de importação que...

Abicalçados, entidade que representa a indústria nacional de calçados, levou ao governo Lula (PT) um pedido para instituir cotas de importação que limitem a entrada de produtos asiáticos como calçados, pneus e móveis. A iniciativa surge como resposta imediata à nova tarifa de 25% decretada pelos Estados Unidos sobre diversas exportações brasileiras.

Segundo Haroldo Ferreira, presidente-executivo da associação, o setor enxerga nas cotas um “remédio” para neutralizar o impacto do tarifaço que, na prática, encarece o produto brasileiro no principal mercado externo. A solicitação já foi encaminhada aos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento Indústria e Comércio, e das Relações Exteriores, que analisam o enquadramento jurídico da medida dentro das regras da Organização Mundial do Comércio. Mais notícias sobre cenário macroeconômico podem ser encontradas em Economia & Finanças.

“Estamos discutindo a aplicação de cotas para evitar que o mercado doméstico seja invadido por produtos asiáticos que chegam a preços muito abaixo do custo de produção local”, afirmou Ferreira.

A investida empresarial ocorre dias depois de Washington anunciar a nova rodada de restrições — derivada de investigação comercial que citou meios de pagamento como o Pix e temas ligados ao etanol. O adicional de 25% atinge parte relevante da pauta exportadora brasileira, ampliando custos logísticos e pressionando margens de lucro das companhias.

Na leitura do Editorial S&N, esse movimento indica uma tendência de “efeito dominó” nas cadeias globais de valor: quando o maior destino das exportações de um país fecha a porta, a mercadoria busca outros mercados, reacendendo a disputa interna por preços. A adoção de cotas funciona, portanto, como uma muralha regulatória que transfere a fricção do comércio exterior para a fronteira de entrada dos produtos concorrentes.

Pela regra geral, cotas de importação estabelecem um volume máximo que pode ingressar no país com imposto reduzido ou nulo; acima desse limite, a alíquota sobe drasticamente. Trata-se de instrumento já utilizado por parceiros como União Europeia e Argentina para proteger segmentos considerados sensíveis. No Brasil, a competência para implantá-las é do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex).

Integrantes do governo ouvidos pela entidade sinalizaram que a Camex pode deliberar sobre o tema ainda neste trimestre. Até lá, Abicalçados e as câmaras setoriais de pneus e móveis articulam novos dados de produção e emprego para reforçar o pleito. Caso a quota seja aprovada, entraria em vigor por prazo definido, sujeito a revisões periódicas, como exige a legislação.





Para os consumidores, a adoção de cotas tende a evitar uma queda abrupta de preços no curto prazo, mas também pode reduzir a oferta de itens de baixo custo. Já para as empresas locais, a aposta é de fôlego extra para investir em design, tecnologia e diversificação de mercados a fim de compensar as barreiras no exterior.

O desfecho das negociações deverá impactar não apenas o setor calçadista, mas a estratégia comercial brasileira diante de um cenário global de protecionismo crescente. A S&N seguirá acompanhando.

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