O governo dos Estados Unidos decidiu aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas preservou mais de 2.100 itens dessa cobrança. A lista de exceções — que inclui carne, café solúvel e obras de arte — deve reduzir a alíquota efetiva a aproximadamente 16%, estimam analistas consultados pela Folha em 16/07/2026.
Na prática, a medida atenua o impacto imediato sobre a pauta exportadora do Brasil, que somou bilhões de dólares em embarques para o mercado norte-americano no último ano. Segundo os especialistas, sem as isenções, o peso médio da tarifa chegaria aos 25% anunciados pela gestão Donald Trump após meses de negociação comercial. O ajuste foi divulgado às 16h17 (horário de Brasília).
Para o Editorial S&N, o recuo para 16% realinha expectativas de receita das empresas nacionais e reduz a urgência de repasse de custos ao consumidor interno. O movimento também preserva margens de setores sensíveis, como o agroexportador, enquanto mantém sob radar categorias que não entraram no pacote de exceções.
Lista de 2.100 exceções suaviza impacto
Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que a grande quantidade de itens poupados explica a diferença de nove pontos percentuais entre a alíquota anunciada e a efetiva. Produtos de grande peso na pauta bilateral — caso da proteína animal e do café processado — permanecem competitivos, evitando perdas imediatas de share em um dos principais destinos das exportações brasileiras.
Esse alívio momentâneo, porém, não elimina a necessidade de diversificação de destinos, argumentam analistas. A tarifa de 25% segue válida para milhares de NCMs (Nomenclaturas Comuns do Mercosul) fora da lista de exceções, lembrando que a Casa Branca pode revisar a relação de isentos a qualquer momento, conforme cláusulas do ato presidencial.
O tema deverá dominar a agenda de entidades empresariais brasileiras nas próximas semanas. Conforme apurou a Folha, associações setoriais avaliam enviar delegações a Washington para defender a ampliação do número de exceções ou mesmo a suspensão total da medida.
O que a redução indica, segundo a S&N
Na leitura do Editorial S&N, a taxa efetiva de 16% sinaliza duas mensagens ao mercado. Primeiro, a Casa Branca mantém a retórica dura, mas preserva insumos essenciais para sua indústria e para o consumidor final — o que explica a exclusão de itens agrícolas e de maior valor agregado. Segundo, a diplomacia comercial brasileira demonstrou capacidade de negociação ao garantir um pacote expressivo de isenções.
Pelo lado doméstico, a redução dá fôlego aos exportadores para planejar 2027 com menor incerteza cambial e tributária. Ainda assim, a experiência recente reforça a importância de acordos multilaterais mais estáveis. Em 2025, lembramos, o Brasil contabilizou aumento de 18% nas vendas para os EUA, índice que pode ser revisto caso novas tarifas surjam sem contrapartidas.
Empresários devem acompanhar a movimentação cambial e as discussões em fóruns como a OMC, pois a diferença entre a tarifa nominal e a efetiva poderá encolher ou ampliar conforme ajustes futuros. Em qualquer cenário, quem antecipa estratégias — revendo cadeias de suprimento ou buscando outros mercados — tende a mitigar riscos.
Para mais análises sobre comércio exterior e política tarifária, visite a seção de Economia & Finanças da S&N.
A agenda econômica seguirá de olho em Washington. Se o governo Trump optar por enxugar a lista de 2.100 isenções, a tarifa efetiva subiria rapidamente. Caso contrário, o mercado brasileiro ganhará tempo para recalibrar contratos e rotas, convertendo a atual trégua em vantagem competitiva duradoura.


Comentários
Participe com respeito. Comentários passam por proteção anti-spam simples.