Kalshi, plataforma norte-americana de mercado de previsões, entregou à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) evidências de que o operador de teleprompter de Donald Trump teria usado informação privilegiada para apostar nos discursos do presidente e embolsar mais de US$ 100 mil.
Debates sobre limites éticos de ganhos privados com informações de Estado são recorrentes em Economia & Finanças, mas raramente envolvem apostas em tempo real sobre frases específicas de um presidente.
Como a trama foi detectada
Robert Denault, chefe de fiscalização da Kalshi, afirmou na rede X que a equipe de monitoramento da plataforma “marcou, investigou e encaminhou” as transações suspeitas à CFTC. Embora não tenha citado Perez nominalmente, Denault destacou que todo o material coletado já está em posse do órgão regulador.
De acordo com a ABC, as apostas ocorreram no mercado “Mentions”, em que usuários tentam prever expressões exatas que aparecerão em pronunciamentos públicos. Operadores devem declarar seu local de trabalho, e a política da Kalshi proíbe apostas baseadas em dados obtidos em função do cargo.
“Fornecemos todas as evidências que coletamos, como fazemos em qualquer encaminhamento”, escreveu Denault.
Pressão adicional sobre a Casa Branca
A administração Trump já enfrenta críticas sobre possíveis ganhos pessoais do próprio presidente. Na quinta-feira, a Trump Media anunciou cobrança por acesso rápido a postagens na Truth Social, inclusive conteúdos que possam influenciar mercados ou segurança nacional.
Além disso, divulgações financeiras recentes indicam que Trump faturou US$ 1,2 bilhão em 2025 com negócios de criptomoedas, incluindo mais de US$ 500 milhões pela World Liberty Financial e US$ 600 milhões pela CIC Digital LLC, apesar de as cotações dos ativos terem despencado após as vendas.
Leavitt, porém, sustenta que o presidente “cumpre todas as leis de conflito de interesses aplicáveis” e considera “absurda” qualquer insinuação de que ele lucre com a função pública.
O que está em jogo para os mercados de previsões
Na leitura do Editorial S&N, o movimento da Kalshi sinaliza dois recados simultâneos. Primeiro, a própria indústria tenta mostrar a reguladores que consegue se policiar, algo crucial para ganhar legitimidade nos Estados Unidos. Segundo, evidencia-se o grau de sensibilidade desses mercados a informações privilegiadas, fator que pode atrair legislação mais dura ou até restrições a eventos políticos sensíveis.
Como a CFTC passou a intensificar o escrutínio sobre plataformas de apostas — Kalshi e a rival Polymarket já enfrentam processos de registro —, episódios de “insider betting” tendem a acelerar a definição de um marco regulatório. Para usuários, o caso reforça a necessidade de checar a origem dos participantes e as políticas de compliance antes de apostar.
Se confirmada a violação, Perez poderá enfrentar sanções civis e criminais, enquanto a Kalshi tentará preservar a licença em jogo. Para a S&N, o desfecho poderá moldar não só a oferta de mercados futuros baseados em eventos políticos, mas também a forma como campanhas e governos administram o acesso de auxiliares a informações estratégicas.
Por ora, a Casa Branca evita comentar investigações em curso e aguarda o posicionamento oficial da CFTC. O setor financeiro, contudo, já monitora o impacto potencial sobre o calendário de aprovação de novos contratos de previsão política, um segmento estimado em bilhões de dólares em volume anual.


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