Maricá, na região metropolitana do Rio de Janeiro, acelera um plano de transformação econômica que pretende converter a atual abundância de royalties do petróleo em alicerces permanentes de desenvolvimento, tecnologia e energia limpa. A estratégia foi detalhada pelo presidente da Codemar, Júlio Urdangarin, em entrevista ao jornalista Thomaz Gomes, no podcast da MIT Technology Review Brasil oferecido pelo Energy Summit.
Segundo Urdangarin, o município já projeta um crescimento populacional robusto e quer evitar a armadilha da monocultura do petróleo. A saída passa por infraestrutura moderna, incentivos a novos negócios e criação de empregos qualificados – temas diretamente ligados a negócios e inovação.
O primeiro eixo do plano é reduzir gradualmente a dependência dos royalties. Para isso, a Codemar articula a implantação de um parque tecnológico, estreita acordos com universidades e estimula a chegada de startups. O município também faz intercâmbio com ecossistemas de inovação internacionais para atrair empresas de base tecnológica interessadas em fincar operações no litoral fluminense.
Energia como alicerce da nova economia
Energia aparece como pilar indispensável do projeto. Maricá já direciona recursos para fazendas solares, reforça a malha elétrica e avalia projetos de gás natural. Na mobilidade, testa ônibus movidos a hidrogênio e soluções híbridas.
“Sem disponibilidade energética, não é possível atrair indústrias, desenvolver empresas ou sustentar a expansão da cidade”, destacou Júlio Urdangarin no podcast.
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Fundo soberano como sinal de confiança
Além de benefícios tradicionais, a prefeitura utiliza dois mecanismos financeiros para mitigar riscos de quem chega: o Fundo de Desenvolvimento de Maricá e o Fundo Soberano Municipal. A Codemar participa do capital dos projetos considerados estratégicos, dividindo riscos e enviando ao mercado a mensagem de que o poder público acredita no potencial de retorno.
Para a S&N, esse modelo público-privado indica uma mudança de patamar: o município deixa de ser mero fornecedor de incentivos fiscais e passa a atuar como investidor institucional, prática comum em hubs internacionais de inovação.
O próximo desafio será equilibrar velocidade de implantação com preservação ambiental e diálogo social, pontos reiterados ao longo do episódio. Caso cumpra o roteiro, Maricá poderá consolidar-se como referência nacional em cidades que usam a renda do petróleo para financiar a economia de baixo carbono.


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